Aécio sorri: nada como um dia após o outro. Por Vinicius Martins
Tucano conseguiu 44 votos favoráveis para a revogação de decisão da Primeira Turma do STF, que determinava seu afastamento e medidas cautelares.

Hoje é um dia para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sorrir. Mas, não à toa. Motivos não faltam para o tucano estampar um riso frouxo de orelha a orelha. Nesta terça-feira (17), acompanhamos a votação no Senado sobre a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava seu afastamento.

Em um resultado estapafúrdio e esdrúxulo, 44 parlamentares votaram favoráveis a Aécio. Com isso, ele está livre para voltar ao Senado e sair à noite. Outros 26 preferiram, entretanto, votar favoráveis à manutenção do que decidiu o Supremo.

O que isto diz a todos nós, cidadãos em tese, representados por esta classe?

Que 44 senadores não veem nenhum problema no fato de Aécio querer obstruir a Operação Lava Jato e anistiar crimes de caixa 2.

Eles também não enxergam nada de errado nos pedidos de dinheiro do senador tucano ao empresário Joesley Batista, do grupo JBS. O intuito, conforme o diálogo divulgado em maio pelo site Buzzfeed Brasil, é claro: contratar advogados para acabar com a Lava Jato. Ou, nas palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) – que inclusive votou a favor da devolução do mandato a Aécio, trata-se de “estancar a sangria”.

Também não há nenhum problema, na visão de nossos senadores em que, durante esta mesma conversa, Aécio diga em alto e bom tom: “Tem que ser um que a gente MATA ele antes de fazer delação”.

Estes são apenas alguns fatos para citar e mostrar como é inconcebível que Aécio retome seu mandato como senador. E ainda, que todas as medidas cautelares que lhe foram impostas, como a proibição de que o político deixasse sua residência à noite fossem suspensas.

A vitória pró-Aécio não traz algo novo, mas revela as crises identitária, moral, institucional e política em que estamos mergulhados. O cenário é promíscuo e cabe à sociedade perceber que não há comprometimento algum dos políticos para com seus anseios. É o quórum diário para o ‘salve-se quem puder’.

O pior de tudo é a falta de bom senso, tanto do senador mineiro quanto de seus pares. Se o Brasil fosse de fato um país sério, nunca mais Aécio subiria a uma tribuna para posar de paladino da moralidade política. Só que o resultado da votação de ontem não nos surpreende. A cara de pau deste pessoal, muito menos.

A vitória pró-Aécio não traz algo novo, mas revela as crises identitária, moral, institucional e política em que estamos mergulhados. O cenário é promíscuo e cabe à sociedade perceber que não há comprometimento algum dos políticos para com seus anseios. É o quórum diário para o ‘salve-se quem puder’.

Olhando para o passado recente, podemos admitir quase qualquer desculpa. Mas não vale dizer que os últimos atos políticos visavam o combate à corrupção. Aí, já é atentado contra a nossa inteligência.

Só nos resta esperar o desfecho dos nove inquéritos que pesam contra Aécio Neves no Supremo Tribunal Federal e guardar bem os nomes que foram complacentes com o tucano. 2018 bate às portas e é lá que deveremos dar a devida resposta.

Aproveite para saber como votou cada senador na tabela a seguir:

PRÓ-AÉCIO CONTRA AÉCIO
Airton Sandoval (PMDB-SP) Acir Gurgacz (PDT-RO)
Antonio Anastasia (PSDB-MG) Alvaro Dias (Pode-PR)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO) Ana Amélia (PP-RS)
Benedito de Lira (PP-AL) Ângela Portela (PDT-RR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
Cidinho Santos (PR-MT) Fátima Bezerra (PT-RN)
Ciro Nogueira (PP-PI) Humberto Costa (PT-PE)
Dalírio Beber (PSDB-SC) João Capiberibe (PSB-AP)
Dário Berger (PMDB-SC) José Medeiros (Pode-MT)
Davi Alcolumbre (DEM-AP) José Pimentel (PT-CE)
Edison Lobão (PMDB-MA) Kátia Abreu (PMDB-TO)
Eduardo Amorim (PSDB-SE) Lasier Martins (PSD-RS)
Eduardo Braga (PMDB-AM) Lídice da Mata (PSB-BA)
Eduardo Lopes (PRB-RJ) Lindbergh Farias (PT-RJ)
Elmano Férrer (PMDB-PI) Lúcia Vânia (PSB-GO)
Fernando Coelho (PMDB-PE) Magno Malta (PR-ES)
Fernando Collor (PTC-AL) Otto Alencar (PSD-BA)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) Paulo Paim (PT-RS)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) Paulo Rocha (PT-PA)
Hélio José (PROS-DF) Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Ivo Cassol (PMDB-RO) Regina Sousa (PT-PI)
Jader Barbalho (PMDB-PA) Reguffe (Sem partido-DF)
João Alberto Souza (PMDB-MA) Roberto Requião (PMDB-PR)
José Agripino Maia (DEM-RN) Romário (Pode-RJ)
José Maranhão (PMDB-PB) Ronaldo Caiado (DEM-GO)
José Serra (PSDB-SP) Walter Pinheiro (Sem partido-BA)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Telmário Mota (PTB-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zezé Perrella (PMDB-MG)

Fonte: Senado.

Foto: reprodução.

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Vinicius Martins

Editor da Revista Factual, jornalista em formação, cristão, músico, entusiasta da música e designer gráfico. Gosta de ler, tocar violão, bateria e curtir bons sons. Um apaixonado por Goiânia e seus encantos. Motivado pelo aprendizado.

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