Dia da Consciência Negra: o que faz com que esta data se mantenha importante e atual?
A data, estabelecida como uma ocasião para relembrar a morte de Zumbi dos Palmares provoca discussões sobre tratamento para com os negros na sociedade

Anualmente, é comemorado em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra no Brasil. Para muitos, um simples feriado, um dia para enforcar o expediente normal. Não é o caso aqui em Goiás. Embora a data possua reconhecimento no calendário, ela não garante nenhuma folga para estabelecimentos goianos, pois o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) considerou inconstitucional a Lei Municipal que a instituía como feriado.

Entretanto, o que desejo abordar aqui não é isso. Minha questão está mais relacionada com o que fazemos neste dia. Temos o que comemorar? O que temos aprendido desde sua instituição?

Vale lembrar que o Dia da Consciência Negra faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo de Palmares e ícone da resistência contra a escravidão e o sistema colonial português. Ele foi assassinado em 20 de novembro de 1695, decapitado e teve sua cabeça exposta em praça pública em Olinda, no Recife.

Qual a importância deste dia?

Ainda na atualidade, a população negra esbarra em recorrentes práticas de racismo e tratamentos indignos e desiguais, se comparada à população de cor branca. Um exemplo clássico é identificado no próprio mercado de trabalho. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (17), dos 13 milhões de desempregados no terceiro trimestre de 2017, 8,3 milhões – o equivalente a 63,7% eram pretos ou pardos.

E não é só isso. A pesquisa ainda apontou diferenças em termos de remuneração. O estudo mostrou que a média salarial de pretos e pardos é de R$ 1.531, em média. O rendimento médio dos brancos é de R$ 2.757. Tem algo muito errado nisso, não é mesmo?

A questão é que o racismo é estrutural no Brasil. A Organização das Nações Unidas (ONU) defende que, além de estrutural, ele é institucionalizado e “permeia todas as áreas da vida”. Não é muito difícil constatar isso. Está aí, visível para quem tiver interesse em fazer tal exercício. As periferias tem, entre seus habitantes majoritariamente, pessoas de cor negra, muitas vezes privadas de políticas públicas mínimas de segurança, educação, saúde, trabalho, cultura e mobilidade urbana.

A Anistia Internacional Brasil lançou em 2014, a campanha ‘Jovem Negro Vivo’, motivada por um estudo que apresentou números assustadores. O Brasil registrou 56 mil assassinatos no ano de 2012. Para se ter uma base, 30 mil destes mortos eram jovens entre 15 a 29 anos e, deste total, 77% eram negros. A maior parte dos crimes foi praticada pelo uso de armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegaram a ser julgados.

Mas, apesar destes dados, nem tudo é pessimismo. As políticas públicas em favor da população negra também avançaram. Um exemplo é a criação das cotas raciais, ações afirmativas que visam incluir etnias menos favorecidas, como os negros e os indígenas em instituições públicas de ensino, concursos públicos, entre outros.

Ainda assim, estas políticas sofrem inúmeras críticas por ‘beneficiar’ os negros. Estas falas vem, por vezes, de brancos que se sentem prejudicados. Não é difícil observar, porém, quanto tempo os avanços sociais para negros foram atrasados – sobretudo pela influência do autoritarismo dos brancos em séculos passados. Isto é história. Está aí. Basta ler!

O intuito deste artigo, não é enaltecer a prática do ‘Nós x Eles’. Muito pelo contrário! É justificar a importância de uma data como esta.

Este texto intenta mostrar como ainda precisamos caminhar na direção de um tratamento equalitário. Isto mesmo! Equalizar para tornar as condições de vida iguais – e justas para todos. E que haja harmonia entre brancos e negros.

Isto implica que o negro deixe de andar sobre olhares de suspeição, simplesmente pelo fato de ser negro. Implica que o negro deixe de ser inferiorizado intelectualmente pela cor de sua pele, sem que se considere suas capacidades e habilidades. E por fim, implica que o negro não tenha que ser submetido a exposições vexatórias em virtude de sua cor ou até mesmo das crenças que possui – caso das religiões de matriz africana. O respeito deve pautar o convívio.

Minha total admiração aos negros deste Brasil imenso. Todas as honras a vocês, não somente neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, mas na vida.

Foto: reprodução.

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Vinicius Martins

Editor da Revista Factual, jornalista em formação, cristão, músico, entusiasta da música e designer gráfico. Gosta de ler, tocar violão, bateria e curtir bons sons. Um apaixonado por Goiânia e seus encantos. Motivado pelo aprendizado.

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