Dia da Mulher: o balanço sobre a data e o machismo que praticamos
Leia a opinião do editor da Revista Factual, Vinicius Martins e suas considerações sobre o Dia Internacional da Mulher.

Nos minutos finais deste Dia Internacional da Mulher, considero salutar pontuar a respeito de questões que observei durante todo o dia, especialmente por meio de experiências empíricas proporcionadas pelo reduto do comportamento humano conhecido como redes sociais – a saber, minha timeline. Vamos bater um papo rápido? Como diria o saudoso jornalista Goulart de Andrade (1933-2016): “vem comigo!”

Os homens tendem convencionar que o feminismo é um exagero por parte das mulheres. Acham que elas estão de certa forma, passando dos limites na problematização de questões que envolvam o trato de nós, homens, ‘machos alfa’ para com elas. Ledo engano, amigos! Nós não temos o direito de pautar discussões que são sentidas na pele exclusivamente por elas.

Não temos que conviver com a objetificação do corpo, com o medo de sermos estuprados a cada esquina, com a desqualificação machista promovida pelo mercado de trabalho masculinizado, que insiste em pagar menores salários e não reconhecê-las, alçando-as aos cargos majoritários, apesar de toda a competência e empenho que as mulheres possuem – muitas vezes maior do que os homens, nunca abaixo. E tem mais, quando alguém discorda de nós, certamente vai atacar os nossos argumentos, nosso pensamento. Mas quando a discordância ocorre no debate com elas, o objeto do ataque é sua honra, sua sexualidade, sua subjetividade.

Velho, na boa, vamos apenas parar com isso. Sério! Este é um mea-culpa pessoal que faço em nome dos homens – pelo menos, dos que eu conheço. Quando abrimos a internet e nos deparamos com um estudo mostrando que 503 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora no Brasil nos últimos 12 meses, concluímos que, se tem uma coisa que a argumentação feminista não é, é o famigerado “mimimi”. E quem taxa os movimentos organizados em prol de direitos iguais entre homens e mulheres de “mimizentos”, está na verdade em desespero, pois sabe que os privilégios e falácias preconceituosas que destila, no dia-a-dia ou pela internet, a qual erroneamente ainda consideramos como “terra de ninguém”, onde podemos nos esconder para vociferarmos virtualmente (e doentiamente), estão por um triz.

O lugar da mulher é onde ela quiser, do jeito que ela quiser, com quem ela quiser e se quiser. Ela nunca foi objeto do homem, cria do homem, nem nada semelhante.

Este é um ideal que proponho para nós, homens. Empatia é bom e cabe sempre em qualquer situação. O lugar da mulher é onde ela quiser, do jeito que ela quiser, com quem ela quiser e se quiser. Ela nunca foi objeto do homem, cria do homem, nem nada semelhante. E que possamos aprender com todas elas, ao invés de querer pautá-las no seu grito de dor pelas injustiças que sofrem diuturnamente até hoje, enquanto estamos na nossa comodidade machista de mandos e desmandos. As flores e os chocolates podem até ser oferecidos, mas principalmente, a equidade e o respeito devem ser praticados. Isto é o ideal.

Um abraço e os meus mais sinceros votos de FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER a todas as mulheres do mundo. Continuem na força e determinação de vocês! Um dia só é muito pouco. Todos os dias e toda a plenitude da vida pertencem a vocês, por absoluto merecimento.

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Vinicius Martins

Editor da Revista Factual, jornalista em formação, cristão, músico, entusiasta da música e designer gráfico. Gosta de ler, tocar violão, bateria e curtir bons sons. Um apaixonado por Goiânia e seus encantos. Motivado pelo aprendizado.

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