A maravilhosa bênção de ser mulher
Por Raquel Fernandes, colunista da Revista Factual.

Creio que um dos maiores privilégios da vida é poder ser mulher. Nós não somos mulheres apenas por termos nascido assim. Nós somos mulheres porque podemos e conseguimos ser. Porque não é fácil (ah! Não é fácil mesmo!). Cada dia é um desafio a ser concluído, a começar pelo cabelo bagunçado e criticado mentalmente ao nos olharmos no espelho pela manhã, até o processo árduo de retirada de maquiagem do rosto antes de se deitar. Neste meio, passamos por banhos, roupas, sapatos, maquiagens, refeições preparadas por nós (porque na maioria das vezes não temos quem as faça), encarar os pedais do carro de salto (o qual vai ficar nos nossos pés durante o dia todo), a preocupação constante em checar se o cabelo está arrumado, se o batom ainda está na boca, se a calcinha está aparecendo por baixo da calça, se ainda resta algum traço do perfume passado após o banho matinal, e além de tudo isso, ainda se preocupar com o que as pessoas ao seu redor estão pensando de você.

Concluímos o dia de trabalho com a postura e elegância de quem acabou de começar, voltamos para o trânsito que nos permite pensar naquilo que ainda temos a fazer, vamos para a faculdade com a força que nem nós sabemos de onde vem, encaramos a volta pra casa com a certeza de que o fogão e outras obrigações nos esperam, tiramos aquela armadura de super poderosas que nos incomoda e nos aperta, e finalmente vamos para as tão aguardadas horas de descanso, as quais não são inteiramente aproveitadas, pois, ao colocarmos a cabeça no travesseiro, o dia seguinte já vai sendo todo traçado e planejado na nossa mente. E por mais exaustivo que isso pareça, ainda conseguimos ser mães! Se pararmos pra pensar, seria inimaginável colocar todas estas obrigações e adicionarmos uma, duas ou mais crianças no cotidiano de uma pessoa só. Acho que foi exatamente nisso que Deus pensou e, vendo que Adão não daria conta do recado, decidiu criar Eva. Mães (casadas e especialmente solteiras) deveriam receber troféus e estátuas em sua homenagem.

Existem aquelas coisinhas que só nós temos a capacidade de realizar. Ir ao salão, por exemplo, e ficar horas a fio sentadas em frente a um espelho nos submetendo a vários procedimentos, só porque somos morenas e queremos ficar loiras (ou vice versa, temos cabelos longos e queremos que eles fiquem curtos, eles são enrolados e trabalhosos então a partir de agora ficariam lisos. A missão convidadas ou madrinhas de casamento, onde além de toda uma tarde visitando cabeleireiros e manicures, ainda ficamos uma noite inteira em meias e vestidos apertados, penteados imunes a água e sapatos de salto que sempre nos deixam uma lembrança no calcanhar e dedos para os dias seguintes. E tem aquelas coisinhas, que só nós temos a permissão de fazer e sentir. Podemos nos vestir todas de rosa sem nos preocuparmos em olhares distorcidos, ver um filme e chorarmos o quanto quisermos sem a reprovação de quem está no nosso lado, ficar um dia todo deitadas e medicadas porque um filhote de dragão nasce do nosso útero em determinada época e aí sim as pessoas vão entender porque passamos a semana anterior revezando os dias em tristezas, alegrias, raivas, excitações, choros, e comilanças. Estas, fiéis companheiras sempre conosco, seja através de uma caixa de chocolates devorada de uma vez só, infindáveis xícaras de café, pratos enormes de salada no almoço, potes de sorvete banhados por lágrimas nas sessões de Netflix ou aquele drink especialmente preparado no fim do dia.

A vida de uma mulher é tão desafiadora e ao mesmo tempo maravilhosa, que boa parte das produções hollywoodianas são baseadas no sexo forte (e não sexo frágil). Atrizes poderosas e bem sucedidas profissional e financeiramente se diferenciam das demais apenas pela fama e pelo dinheiro, pois, se não levarmos em conta estes aspectos, todas somos iguais. Sandra Bullock, Kate Winslet, Meryl Streep, Cameron Diaz, interpretam em, respectivamente, Um Sonho Possível, O Leitor, O Diabo Veste Prada e Uma Prova de Amor, mulheres sofridas mas fortes, trabalhadoras e ainda sim lindas e perfumadas, mães que dariam sua vida pelos filhos, profissionais que colocam o trabalho à frente de tudo, que lutam e sofrem com doenças em si próprias ou na família. Com defeitos, poucos ou muitos, esta é a beleza de ser mulher. Ser, poder, fazer, ir, vir, chorar, gargalhar, amar, odiar, viver. Feliz dia, aos maiores soldados das guerras da vida.

Raquel Fernandes

Colunista da Revista Factual e colaboradora da Rádio Ondas da Saudade, graduanda em Jornalismo, apaixonada por futebol, cinema e música. É cristã protestante e tem por hobby cozinhar, ler e cantar. Tem o sonho de viajar pelo mundo e trabalhar em uma emissora de TV.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *