Morre Prince: a genialidade excêntrica da música começa a deixar o mundo
O músico foi encontrado morto nesta quinta-feira, aos 57 anos.

O cantor Prince, de 57 anos foi encontrado morto em sua residência no estado do Minnesota, nos Estados Unidos nesta quinta-feira (21). Em comunicado, a assessora do artista, Yvette Noel-Schure informou: “É com profunda tristeza que confirmo que o lendário e icônico artista Prince Rogers Nelson faleceu em sua residência no Paisley Park esta manhã”. Ele foi encontrado desacordado no elevador de casa às 9h43. Sua morte foi confirmada às 10h07.

A causa da morte do cantor, compositor e multi-instrumentista não foi divulgada. O corpo do artista deve passar por autópsia nesta sexta-feira (22), que vai apurar o que motivou o falecimento. Há cerca de seis dias, Prince teria sido internado em decorrência de uma overdose, de acordo com informações do portal TMZ. Mas ainda não se sabe se há alguma relação entre o episódio e a morte.

Com a partida de Prince, vamos nos aproximando cada vez mais do encerramento de um ciclo. Não recorrendo a um certo fatalismo mas, é ao que parece, o fim de um período amplamente inventivo, que nos trouxe ‘monstros sagrados’ (perdoem o clichê) reverberando sons que transpassam as fronteiras da audição para penetrar no mais profundo das emoções. Piegas ou não, em época onde tudo é tão efêmero e gerado para ser não mais que um mero produto cultural em todas as vertentes, é preciso meio que garimpar a verve criativa do ser humano para produzir algo que contenha essência, substância. Ele conseguiu. E esta essência ao que parece começa a deixar o mundo, sobretudo, com as perdas que tivemos nos últimos meses na música, às quais, soma-se a morte de Prince. Gostando de seu trabalho ou não, tais artistas são necessários. Eles são intensos e não temem liberar as ‘bestas-feras’ que trazem dentro de si em forma de arte.

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Prince em cena de Purple Rain (1984). Foto: divulgação.

‘Purple Rain’ está aí para corroborar esta tese. Não só a música. O álbum. E o filme, de 1984, responsável por faturar um Oscar e um Globo de Ouro.

Gênios são geralmente incompreendidos. Em muitos casos, até por si mesmos. Prince tornou-se um artista recluso. Mudou tudo – até o nome, adotando um símbolo impronunciável para se identificar, que foi utilizado pelo cantor até meados de 2000, quando se disse livre de relações indesejáveis com gravadoras que envolviam direitos sobre músicas. Desde então, voltou a se identificar como Prince, seu nome de batismo. Fez pouco caso do serviço de streaming, impedindo a reprodução ou download de suas músicas, exceto pelo Tidal, de Jay Z. Vale lembrar que o serviço foi aderido quase que em peso pelo mainstream, entre outras coisas. Permanecia em sua casa que funcionava como um complexo de produção particular. Marrento? Ou seria autêntico? Ou ainda, os dois? Cada um que faça suas avaliações.

Símbolo impronunciável adotado por Prince como nome entre os anos 1993 e 2000. Uma mostra de sua excentricidade.
Símbolo impronunciável adotado por Prince como nome entre os anos 1993 e 2000. Uma mostra de sua excentricidade.

O fenômeno emergido de Minneapolis para o mundo deixa um legado à música pop. Mas utilizar tal descrição soa genérico demais. Então, vamos destrinchar. Prince é um dos poucos artistas que consegue o mérito de sobressair com excelência em vários gêneros, seja o rock, o R&B ou funk. Existem aqueles que delimitam, e existem aqueles que aglutinam em si o melhor do que fazem, na música ou qualquer expressão de arte. Mas, para tal façanha, existe um componente que nem todos tem e que não se compra nem se produz em estúdio, apesar de todas as inovações tecnológicas atuais: o talento. E este detalhe, Prince tinha, desde criança.

Sobre sua habilidade musical, não precisa dizer muito. Certa vez, Eric Clapton, o lendário guitarrista foi questionado com a seguinte pergunta: “Como é ser o melhor guitarrista vivo?” Clapton sutilmente respondeu: “Eu não sei, pergunte ao Prince.”

No Twitter, celebridades lamentaram a perda de Prince.

Madonna disse em sua conta pessoal: “Ele mudou o mundo! Um verdadeiro visionário. Que perda. Estou devastada. Essa não é uma canção de amor.”

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama também postou: “‘Um espírito forte transcende regras,’ Prince disse uma vez – e nenhum espírito foi mais forte, mais ousado, ou mais criativo.”

Paul McCartney também pontuou: “Entristecido pela morte de Prince. Orgulhoso de tê-lo visto no ano novo. Ele parecia bem e tocou funky music de forma brilhante.”

Vinicius Martins

Editor da Revista Factual, jornalista em formação, cristão, músico, entusiasta da música e designer gráfico. Gosta de ler, tocar violão, bateria e curtir bons sons. Um apaixonado por Goiânia e seus encantos. Motivado pelo aprendizado.

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