Pedir Intervenção Militar ao som de Geraldo Vandré é desonestidade
Vinicius Martins comenta uma das pautas das manifestações do último domingo: a volta do Regime Militar no país.

O Jornal O Popular publicou matéria na tarde deste domingo (26), onde noticiou a pauta das manifestações que aconteceram simultaneamente em vários pontos do país. Em Goiânia, um grupo pedia por Intervenção Militar ao som de, pasmem… Geraldo Vandré e sua icônica canção “Pra não Dizer que não Falei das Flores”, que representou um período histórico de luta contra a ditadura implantada no Brasil entre 1964 e 1985.

Ao ler isso, fiquei atônito, perplexo e curioso. E me perguntei: em outros tempos, como fazíamos para passar vergonha?

Não questiono aqui o direito de cada um apoiar o que bem entender. Se quiserem, podem defender até intervenção intergalática, interplanetária ou o que quer que seja. Um Estado Democrático de Direito garante tais manifestações e não serei eu a me opor às liberdades individuais. Contudo, usar um símbolo de resistência a um período que representa uma clara mancha de nossa história como foi a Ditadura Militar, é com o perdão da palavra, uma atitude no mínimo canalha e desonesta com aqueles foram torturados ou perderam a vida para que você tivesse direito de dizer o que pensa, mesmo que seja um monte de bobagens e mudar os rumos do país através do seu voto.

Acho que nosso foco político está bastante embaçado e estamos mais perdidos que ‘cegos em tiroteio’ em nossas ideologias ou na inconsistência delas.

Um exercício saudável do pensamento é inverter a questão. Suponhamos que tal regime voltasse a ser dominante no Brasil. O que aconteceria com estes mesmos que saíram às ruas neste domingo? Teriam voz e poder de argumentação? Seriam respeitados? Ou seriam apenas repelidos intelectual e fisicamente pela força da repressão? A questão é simples! Estudem os Anos de Chumbo só um pouquinho e pensem a respeito.

Enquanto nossa atenção se desvirtua em função de defender o inacreditável, maiores absurdos são cometidos nos antros do poder. A estes, as panelas não estalam e os protestos não são direcionados.

Acho que nosso foco político está bastante embaçado e estamos mais perdidos que ‘cegos em tiroteio’ em nossas ideologias ou na inconsistência delas.

E você, o que acha?

Pulverizo esta pergunta no ar. Até a próxima!

bandeira-do-brasil

Vinicius Martins

Editor da Revista Factual, jornalista em formação, cristão, músico, entusiasta da música e designer gráfico. Gosta de ler, tocar violão, bateria e curtir bons sons. Um apaixonado por Goiânia e seus encantos. Motivado pelo aprendizado.

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