Rock e quadrinhos: interface é tema de bate-papo com o escritor Márcio Júnior nesta terça em Goiânia

Que Goiânia é terra fértil para uma cena efervescente e imensamente produtiva na seara do bom e velho rock n’ roll independente, isso ninguém discute. Inúmeros shows e festivais permeiam a agenda cultural goianiense, seja em amplos espaços, centros culturais ou mesmo pubs e bares espalhados pela capital. A música está sempre em movimento, assim como seus adeptos – o que é ótimo, por sinal.

Dentro deste contexto de constante reinvenção e inovação sem é claro, deixar de lado a clássica paixão pelo rock, que é a força e causa do movimento, o escritor, engenheiro, vocalista da banda goiana Mechanics e sócio da produtora Monstro Discos Márcio Júnior, Mestre em Comunicação pela UnB participa nesta terça-feira, 15, do evento “BATE-PAPO: Rock, quadrinhos e independência: como produzir e existir à margem do mainstream”, onde apresenta seu recém lançado livro, denominado COMICZZZT! A obra é fruto de uma dissertação de mestrado realizada pelo escritor e concilia as origens dos quadrinhos e do rock n’ roll, passeando por assuntos como a contracultura, movimento hippie, entre outros intimamente ligados com a identidade artística e histórica de ambos. Para os fãs, uma oportunidade imperdível de interagir dentro dos dois universos. Em entrevista à Revista Factual, o autor explica a partir de agora um pouco deste cenário.

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O escritor Márcio Junior, palestrante do evento

Quando e como pintou para você a percepção desta possível interface entre o rock e os quadrinhos?

O primeiro (e provavelmente mais poderoso) contato com essa interface se deu por volta dos meus 11 anos de idade, quando o KISS veio ao Brasil pela primeira vez. Eles eram verdadeiros personagens de HQ! As personalidades icônicas, as fantasias, fogo, explosões, vôos, e principalmente o fato de terem identidades secretas (naqueles tempos ninguém conhecia a verdadeira face dos membros do KISS) trouxeram para o campo do real (mais especificamente do Rock) aquilo que eu já adorava nos quadrinhos que lia. Daí pra frente, Rock e Quadrinhos sempre estiveram no centro dos meus interesses e comecei a perceber como estas expressões tão distintas buscam constantemente não só o diálogo, mas também a hibridação.

Que artistas você pode classificar como suas referências dentro desta proposta?

Para ficarmos em poucos exemplos, além do KISS, posso citar o papa do underground Robert Crumb (cujo trabalho sempre foi atravessado por uma estreita relação com o Jazz e Blues do começo do séc. XX). No Brasil, temos a antológica parceria entre Arrigo Barnabé e Luiz Gê em Tubarões Voadores. E gosto de pensar que Música para Antropomorfos, criação conjunto do Mechanics com o genial Fabio Zimbres, trouxe uma contribuição interessante para esta seara.

Ainda existe aquela certa veneração da galera pelas capas dos discos que seguem este contexto artístico ou a era digital eliminou a importância destas produções?

A mudança do vinil para o CD trouxe uma transformação no modo como o design dos álbuns se oferecia ao público. A considerável diminuição do espaço físico para a arte gráfica, acarretou uma série de novas abordagens. Com a chegada do digital, isso se radicaliza. A esmagadora maioria do consumo de música atualmente não é atravessada pelo objeto físico. Neste sentido, certamente o papel desempenhado pelas capas de disco perde força. Todavia, não deixa de ser interessante notarmos um aspecto: mesmo os lançamentos digitais possuem, usualmente, uma capa (também virtual). Ou seja, a ideia de associarmos uma imagem à musica ainda está presente.

Que perspectivas você visualiza para a produção tanto do rock, quanto dos quadrinhos, respectivamente?

O Brasil vive um excelente momento para os Quadrinhos e um péssimo momento para o Rock. Mas este panorama é conjuntural e está, sempre, em processo de transformação. O fato é que eu não acredito que existam limites ou barreiras que possam impedir a boa produção de música e HQs. Sempre vai ter gente com algo a dizer – e é nisso que temos que nos concentrar. A força estética e criativa está sempre no independente.

Serviço

BATE-PAPO: Rock, quadrinhos e independência: como produzir e existir à margem do mainstream

Autor: Márcio Jr.
Quando: Terça-feira, 15 de dezembro
Onde: Espaço Culturama (Av. T-8 n. 324 esquina com Av. Mutirão – Galeria Casa Blanca, Setor Bueno. Fone: 62 3924-1917)
Horário: 19 horas

Confirme presença: https://www.facebook.com/events/1090620350950908/

Entrada franca

Vinicius Martins

Editor da Revista Factual, jornalista em formação, cristão, músico, entusiasta da música e designer gráfico. Gosta de ler, tocar violão, bateria e curtir bons sons. Um apaixonado por Goiânia e seus encantos. Motivado pelo aprendizado.

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