Análise de cera de ouvido detecta câncer, revela pesquisa da UFG

Artigo que relata descoberta científica inovadora foi publicado no Scientific Reports Nature, veículo de comunicação dos mesmos editores da revista Nature

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Foto: Natalia Cruz - Secom/UFG

Um estudo realizado no Laboratório de Métodos de Extração e Separação (Lames), ligado ao Instituto de Química (IQ) da Universidade Federal de Goiás (UFG), concluiu que o exame clínico da cera de ouvido pode levar à detecção de doenças como câncer. Os detalhes do estudo estão no artigo científico Cerumenogram: a new frontier in cancer diagnosis in humans, publicado no Scientific Reports Nature, veículo de comunicação dos mesmos editores da revista Nature, de elevado fator de impacto na comunidade científica mundial.

O exame é feito a partir da coleta da cera de ouvido no laboratório com uma cureta. A amostra fica armazenada em um recipiente, que a isola do meio exterior, e é mantida a menos 20 graus celsius (- 20⁰ C) até se fazer a análise. Na sequência, o produto é colocado em um frasco, que é selado e depositado em um compartimento aquecido.

O aquecimento faz com que os compostos voláteis da cera de ouvido passem para uma fase de vapor a qual é recolhida depois por uma seringa e introduzida dentro do equipamento (cromatógrafo a gás), no qual as substâncias são separadas e chegam a um outro aparelho (espectrômetro de massas), que revela quais são as substâncias presentes no material. É possível obter um perfil das substâncias presentes em indivíduos que têm câncer e em indivíduos que são sadios.

“Nós observamos que esses perfis são diferentes e com base nessas diferenças conseguimos montar um banco de dados e dizer se uma pessoa está ou não com câncer, inclusive quando se encontra em estágio inicial. O que é importante, já que há maiores chances de cura quando a doença é diagnosticada nas fases iniciais”, explica o coordenador geral do Lames, Nelson Roberto Antoniosi Filho.

Professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, coordenador geral do Lames. Foto: Natalia Cruz – Secom/UFG

O processo todo permite que em cinco horas seja verificado se o paciente tem ou não câncer. A análise pode ser feita em até sete dias a partir da data da coleta. “É bastante vantajoso, pois além de não ser invasivo, praticamente todas as universidades brasileiras possuem a tecnologia adequada e a instrumentação necessária para se fazer esse tipo de análise”, pontua.

Para o professor, a cera de ouvido tem se mostrado o melhor meio para fazer o diagnóstico de câncer por ser um material que contém, em uma pequena quantidade de amostra, uma elevada concentração de substâncias de interesse. “A análise do cerume consegue identificar 158 substâncias metabólicas. Dessas, 27 discriminam a ocorrência de câncer”.

Os resultados chamam a atenção da comunidade científica para a continuidade dos estudos. Em Goiás, o Hospital Araujo Jorge deverá firmar parceria com a UFG para a ampliação dos estudos. Em São Paulo, por solicitação do médico Luiz Juliano Neto, o hospital A.C.Camargo, referência internacional no tratamento e na pesquisa do câncer, também deseja firmar parceria em pesquisa com a UFG. Uma das maiores autoridades mundiais em câncer de cabeça e pescoço, o oncologista Luiz Paulo Kowalski, também do A.C.Camargo, demonstrou grande interesse em contribuir com as pesquisas, por meio da coleta de material e validação dos resultados em pacientes já diagnosticados.

Sobre a pesquisa

Artigo: Cerumenogram: a new frontier in cancer diagnosis in humans
Primeiro autor: João Marcos Gonçalves Barbosa
Coordenador da pesquisa: Nelson Roberto Antoniosi Filho

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