Tá no Ar: Globo satiriza Bolsonaro em paródia da ‘Vila do Chaves’ e bomba na web

Episódio foi ao ar na noite desta terça-feira (15) e causou forte repercussão entre os internautas

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Foto: Arquivo Pessoal Márcio Vito/reprodução/GShow/TV Globo.

O fato do programa Tá no Ar: a TV na TV, da Rede Globo fazer uma paródia do seriado Chaves, consagrado pela exibição ao longo de décadas no SBT, já seria, por si só, motivo para causar comoção na internet. Entretanto, mais que uma simples imitação, o programa deu o que falar na noite desta terça-feira (15), pelo mote utilizado na homenagem ao humorístico mexicano.

No esquete Vila Militar do Chaves, o personagem em questão é o novo dono da vila — um capitão, interpretado por Marcelo Adnet, em alusão ao presidente Jair Bolsonaro. “Depois de anos de incompetência e má administração, eu vim resolver essa ‘cuestão'”, disse o personagem que, em seguida, cobrou os famosos 14 meses de aluguel devidos por Seu Madruga, interpretado por Marcius Melhem.

E não foram poucas as frases de efeito em referência ao presidente utilizadas durante o programa. Sempre se referindo a um determinado personagem silabicamente como “VA-GA-BUN-DO”, o capitão vivido por Adnet mandou prender Seu Madruga por causa da dívida e por estar desempregado. E se dirigiu a Chiquinha (Luana Martau) como uma ‘fraquejada’, pelo fato de tanto ela quanto Chaves, interpretado por Márcio Vito, estarem chorando. Segundo o militar, o ‘mimimi’ é coisa de ‘vermelhos’ — referência a adversários de esquerda. A expressão ‘fraquejada’ foi dita por Bolsonaro ao falar de sua filha durante uma palestra na sede do Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em 2017.

Ao mandar que seus subordinados levem Chaves, a quem chamou de morador de rua e imprestável, o capitão diz frases como “acabou a mamata” — bastante utilizada especialmente pelos eleitores do presidente. No contexto da paródia, as mamatas seriam a “Bolsa Barril” e a “Bolsa Tamarindo”, referências a benefícios sociais a exemplo do “Bolsa Família” e outros.

Não parou por aí! Outros personagens da Vila Militar do Chaves foram alvos da perseguição do novo dono do cortiço. Incomodada, Dona Florinda (Georgiana Góes) e o filho Quico (Maurício Rizzo) aparecem para questionar o barulho. Diante da situação, o capitão pergunta pelo marido de Dona Florinda, que declara ser viúva.

Nesse momento, o capitão diz que está tudo errado na família. E justifica com o fato da personagem estar vestindo azul — outra referência, dessa vez, à fala da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que declarou em um vídeo que “menino veste azul e menina veste rosa”. A gravação veio à tona no dia 3 de janeiro e causou repercussão negativa.

O dono da vila diz ainda que a família é ‘desajustada’ e, por isso, Quico seria ‘afeminado’. Esta fala remete a um discurso do atual vice-presidente e general da reserva Hamilton Mourão. Em setembro de 2018, ainda em campanha, Mourão disse que famílias onde não há pai nem avô, apenas mãe e avó tornam-se fábricas de elementos desajustados, que tendem a ingressar em narco-quadrilhas.

O último personagem a entrar em cena foi o Professor Girafales, interpretado por Danton Mello. Ao se identificar como namorado de Dona Florinda e professor de Quico, ele imediatamente ouve um sonoro ‘VA-GA-BUN-DO’. O capitão completa justificando que ele, além de namorar mãe de aluno, estaria ensinando “ideologia de gênero”, “kit gay” e “darwinismo” — termos ideológicos frequentemente mencionados e rechaçados por Bolsonaro e seus eleitores, que culpabilizam os professores e dizem que alguns deles estariam ‘doutrinando’ alunos.

Por fim, o capitão após prender todos os demais personagens, demite até mesmo a plateia. Mas recua, porque segundo ele, demitiu quem demitiria os espectadores. A crítica é justificada pelos constantes recuos que Bolsonaro anunciou nos últimos dias acerca de medidas que propôs em seu governo e ainda, pela ordem de demissão em massa de servidores, dada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sob pretexto de ‘despetização’ do governo. Na ocasião, o ministro demitiu alguns servidores responsáveis por pedidos de exoneração e nomeação, o que atrapalhou até mesmo o funcionamento da pasta.

Não faltaram também, referências ao policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor e motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho de Jair Bolsonaro. As movimentações atípicas realizadas por Queiroz levantaram suspeitas e chamaram a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Veja o vídeo do esquete ‘Vila Militar do Chaves’ a seguir:

Vila Militar do Chaves #TáNoAr

Isso! Isso! Isso daí! Sim. Você está vendo Chaves na Rede Globo. Reveja o #TáNoAr: https://glo.bo/2HhOCyk

Publicado por Tá no Ar em Quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

No Twitter, o episódio foi um dos mais comentados nos Trending Topics e dividiu as opiniões dos internautas. Confira a repercussão:

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