Uniformizado, jardineiro da Comurg defende TCC em Jornalismo sobre mulheres garis

Exposição fotográfica que retrata o universo de trabalhadoras da limpeza urbana em Goiânia lhe rendeu aprovação com nota 10 por excelência

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Luciano Magalhães Diniz após a apresentação de seu TCC. Foto: Arquivo Pessoal/reprodução/Facebook.

O jardineiro Luciano Magalhães Diniz, servidor da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) decidiu trocar a enxada pela máquina fotográfica. Ele se formou em jornalismo pela Faculdade Sul-Americana (Fasam) nesta terça-feira (27), após ser aprovado com excelência em seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) com a nota 10.

Luciano apresentou uma exposição fotográfica com perfil, ‘Sou Mulher, Sou Gari’, em que buscou retratar o universo das trabalhadoras da limpeza urbana em Goiânia. Para a defesa, ele vestiu o uniforme da Comurg, utilizado durante o expediente pelos funcionários do órgão municipal.

Um universo de muito sacrifício, humilhações, mas também muitas conquistas. Invisibilizadas pelo uniforme laranja, estereotipadas como pessoas que “não conseguiram nada melhor na vida”, essas mulheres demonstram ter além da força física necessária ao trabalho, uma garra invejável na busca por uma vida confortável.

Servidor da Comurg desde 2006, quando foi admitido por meio de um concurso público, Luciano, que cuidou das ruas, praças e jardins da cidade, aproveitou o momento para fotografar as belas paisagens que encontrava pela frente. Com as fotos ele produziu uma exposição fotográfica que recebeu o nome de ‘Goiânia em preto e branco’.

Com um acervo de mais de duas mil fotos, Luciano lançou um livro chamado ‘Resíduos de uma Goiânia em Preto e Branco’. Não satisfeito, o jardineiro resolveu voltar a sala de aula após 15 anos para cursar o curso de jornalismo e realizar um grande sonho de ter uma faculdade em seu currículo.

Foto de Luciano Magalhães Diniz...
Uma das imagens que integram o livro ‘Resíduos de uma Goiânia em Preto e Branco’. Foto: Luciano Magalhães Diniz.

Luciano defende que “é dever do jornalismo expor esse tipo de situação, quebrar estereótipos e as fotografias são ferramentas importante da nossa profissão”. Para o jornalista recém-formado, é importante humanizar essas trabalhadoras que fora do uniforme laranja têm uma vida como a de qualquer outra pessoa e que dentro do uniforme laranja têm muito orgulho do trabalho que desempenham, por entender a importância dele para a cidade e pela possibilidades que essa profissão ofereceu a elas.

Foto: Arquivo Pessoal/reprodução/Facebook.

Aos 44 anos e pai de três filhos, Luciano diz que ainda não realizou todos os seus sonhos. Ele afirma que o curso superior era um sonho antigo e que já que está prestes a fazer parte da tão sonhada cerimônia de colação de grau. “Não sei como eu vou me comportar, pois, eu nem gosto de fotografar essas cerimônias quando sou convidado a participar das formaturas de parentes ou dos amigos, me acabo de tanto chorar, então não sei se vou me segurar na minha própria formatura”, conclui.

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