Ela gosta de flores, mas gosta de respeito também

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rosas

Manhã de terça-feira. Cara lavada, vestido longo e cabelo preso. Para ela, era um dia comum. Ao chegar ao trabalho, observa que o corredor que caminha para a cozinha da empresa, tinha várias pétalas de rosas. E ao erguer a cabeça devagar, observa que há vários rapazes ensaiando como recepcionar as mulheres dali. E logo ao lado, tinha uma linda mesa de café da manhã. Acreditou que era alguma surpresa por causa da data de 08/03. Quando subiu as escadas, indo ao encontro da sala observa nas outras salas que a maioria das mulheres estavam maquiadas, sorrindo, de salto alto mais do que normal nos dias semanais. Afinal, hoje era o dia delas. Era o nosso “dia”. E ela com cara de merda.

Depois de uns minutos, somos acionadas a descer as escadas formando-se uma fila. Lado a lado do corredor os rapazes estavam com as cestas cheias de pétalas que ela tinha visto mais cedo – lembrando que rosas são caras e cobradas por litros. Sentamos as cadeiras que nos esperávamos. Tínhamos ganhados abraços, apertos de mãos e beijo no rosto como força de “parabenizar” o nosso dia. Depois, os rapazes recitaram algumas poesias – encontradas na internet – e ela ali com cara de merda, querendo comer logo.

Não que ela gostasse de flores, ela é apaixonada! Mas ela se questionava depois “E amanhã”? “Voltará cada um para seu quadrado.” Vivenciando a falta de respeito? A violência no geral? O estupro? Romantizando relacionamentos abusivos? E as piadas pesadas? E os discursos de ódio? E se fomos tentarmos nos expressar por que estamos sempre de TPM, é por que falta louça para lavar. Ela nem queria lembrar a falta de equidade que a elas viviam dentro de casa, na rua, no trabalho.

Ao sair do trabalho, refletindo sobre a homenagem e tudo que havia se questionado durante o dia. Ela olha para dentro de casa e se lembra da sua mãe. Divorciada há dez anos. Trabalha para cuidar da casa, e dos filhos. Esquecendo-se de cuidar de si mesma. Lava, passa, cozinha, limpa. Professora, psicóloga – por que mesmo sem forças, precisa encontrar forças dentro de si para dá apoio a família – pressão social “Quando vai casar de novo”? E os namorados? Você precisa de um homem!” Contas a pagar. Capina, reboca, pega peso, abre pote de palmito. Cai e levanta. Sorrir e chora. É mãe, é amiga, é chefe, é mulher, é ser humano.

Ela, ao lembrar disso tudo, seu peito aperta, uma lágrima desce. E ao ver a mãe, lhe entrega o bilhete junto ao chocolate que ganhou no trabalho, abraçando sua mãe fortemente. Por que ela sabia que sua mãe merecia bem mais que “Feliz dia da mulher”.

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Indy
Ingryd Thaynara – Escritora

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