Revista Bula lança livro com seleção de seus melhores textos nesta quinta-feira em Goiânia

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Acontece nesta quinta-feira, 26, às 20h, no cine Lumière, piso 3, Shopping Bougainville, o lançamento do livro “Os Melhores Textos da Bula” (ed. Ex-Machina, 200 páginas, São Paulo), seleção que reúne os melhores textos da Revista Bula, uma das publicações mais populares da internet no Brasil. A coletânea traz 60 textos de 19 autores, divididos entre crônicas e ensaios e publicados originalmente entre 2012 e 2016. Participam da coletânea nomes como Jacques Fux, Euler de França Belém, Rebeca Bedone, Edson Aran, Karen Curi, Eberth Vêncio, Rodrigo Campos, Carolina Mendes, Flávio Paranhos, Lara Brenner, Ademir Luiz, Nei Duclós, Ruth Borges, Valdivino Braz, Marcelo Franco, Edival Lourenço, Carlos Augusto Silva, José Carlos Guimarães e Rafael Theodor Teodoro.

Com vendas disponíveis apenas pela internet, a primeira tiragem de “Os Melhores Textos da Bula”, que será lançado oficialmente na quinta-feira, 26, esgotou-se em seis dias. O livro terá lançamentos oficiais em Goiânia, Brasília e São Paulo.

Criada em 2003 em Goiânia e fenômeno na internet, a Revista Bula tem uma das maiores audiências do jornalismo cultural brasileiro. O portal, que tem 1,8 milhão de seguidores no Facebook, tem em média 7,5 milhões de acessos mensais, ultrapassando a marca de 80 milhões de pageviews em 2016.

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“Quando criamos o primeiro projeto daquilo que se tornaria a Revista Bula, em 1998, a internet era apenas um vilarejo, uma novidade cara que assustava, encantava e desconcertava as pessoas. Entre idas e vindas, a ideia consolidou-se em março de 2003, no contexto da difusão do uso das redes sociais no Brasil. Nessa época um dos assuntos preferidos da Rede era justamente discutir se o objeto livro iria acabar. De lá para cá o portal atravessou diversas fases, introduzimos mudanças, fizemos algumas concessões editoriais e angariamos centenas de colaboradores — dos mais díspares perfis e tendências —, que promoveram debates e geraram polêmicas. Nesse vilarejo que se tornou aldeia global, amizades foram construídas e desfeitas. Sempre com um tom de leveza e humor. Nesses treze anos, a Revista Bula conquistou mais de 100 mil assinantes e leitores espalhados por cerca de 20 países, totalizando mais de 315 milhões acessos. Foram mais de 10 mil textos publicados, divididos entre entrevistas, estudos críticos, ensaios, perfis biográficos, listas sobre os mais variados temas e crônicas — um dos gêneros que fez com que a Revista Bula se transformasse numa das publicações mais populares da internet no Brasil. Muitos desses textos foram compartilhados nas redes sociais centenas de milhares de vezes. Alguns chegaram a ser o tema mais comentado na internet, viraram memes, geraram vídeos e até caíram em domínio público. Tanta coisa que, como dizem por aí, daria um livro. E não é que deu mesmo! Afinal, os livros sobreviveram e passam muito bem, obrigado. Esta primeira seleção de textos reúne as melhores crônicas e ensaios publicados entre 2012 a 2016. Outras seleções virão, nas quais publicaremos os textos fundadores, as entrevistas e as centenas de listas que foram produzidas nesse período. Nossa Bula, diferente das outras, pode não indicar a cura para os males do corpo, mas queremos crer que alivia os da alma. Portanto, amigo leitor, automedique-se à vontade com os textos que se seguem, nossa Bula não tem contraindicações nem efeitos colaterais.”

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Jornalista Carlos Willian Leite, criador da Revista Bula. Foto: reprodução/internet.
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Eu queria ser Clint Eastwood para dar um tiro na sua cara
Eberth Vêncio

“O calor que tem feito esses dias deve estar cozinhando os meus miolos. Um sujeito chegou perto de mim e disse “me passa a carteira”. Mesmo com o trabuco na mão, eu não passei a carteira porque não ando com carteira. Entreguei uma mochila com coisas de pouco valor como livros, um kit de barbear e um pacote de camisinhas. Não leio, não me barbeio e não meto há tempos, desde sábado. O cara montou na garupa de um cavalo, digo, de uma moto na qual um comparsa o aguardava, e ambos vazaram dali mais rápido que o evacuar de um ganso. “Eu queria ser Clint Eastwood para dar um tiro na sua cara”, foi o que eu pensei. Aliás, eu tenho pensado muitas coisas inusitadas ultimamente, como aprender o idioma russo, dar o rabo e comprar uma arma. Porém, tudo não passa de especulações da minha mente cansada com tanta iniquidade. O velho Clint não se deitaria com outro homem, nem fodendo.”

Deus não nos salvará; mas morrerá conosco
Edival Lourenço

“As condições extremas que nos levarão ao desaparecimento, por certo levarão de eito outras espécies, que se acham vulneráveis como nós. Inclusive desaparecerão os deuses, os santos, os espíritos-luz, os anjos, os avatares e toda plêiade transcendente, vez que são resultantes de nossas lucubrações mentais. Nenhuma outra espécie pensou a existência de Deus. Sejamos menos arrogantes. Façamos alguma coisa por nós mesmos, enquanto é tempo. Porque Deus não virá em socorro de nós e ainda morrerá conosco.”

Um dia a gente aprende a conviver com os que ficam. E a sobreviver sem os que partiram
Rebeca Bedone

“Não é fácil dizer adeus. A despedida é um outono de saudades. É uma tela sendo pintada em tons de cobre, alaranjado e nostalgia: o rio leva folhas caídas de árvores secas; os galhos, outrora carregados de flores em cores vivas, abraçam-se a si mesmos em sua nudez seca e doída. A estação da despedida nos entristece quando partimos. Já era sabida a hora que esse dia chegaria. Os pais dizem adeus ao filho que parte para estudar fora, ou à filha que vai se casar. A república se desfez depois de terminada a faculdade, agora cada amigo tem o seu novo canto. O pai divorciado se despede dos filhos e vai para sua nova casa.”

Cadeia, o grande sertão de Graciliano
Nei Duclós

“Cigarros ordinários acesos um no outro para economizar fósforo, um restinho de iodo para desinfetar um ferimento no dedo, papel e caneta embrulhados em pijamas e outros trapos numa valise que carrega por todo lado, por mais de cinco prisões para onde foi jogado junto com milhares de outros presos políticos, misturados a vigaristas, ladrões e malandros, acompanham o escritor na sua faina: escrever notas que mais tarde vão continuar a literatura iniciada nos confins do Brasil seco e violento. Os livros que esmerilha na sua rotina brutal são narrados como personagens ocultos, um amontoado de letra miúda, mal alinhavadas e passíveis de todas as correções.”

Uma saga de pobreza e infelicidade
Edson Aran

“Nos éramos muito pobres. Papai teve que vender três de nós para experiências genéticas. Meus irmãos se deram bem e foram viver em algum laboratório chique. Infelizmente, ninguém quis me comprar, mas os vizinhos da casa ao lado aceitaram me alugar por um tempo. O cachorro deles tinha morrido. Eu passava as noites latindo no quintal para afastar ladrões. Aqueles foram dias felizes. Os vizinhos também eram muito pobres e, por isso, os ladrões iam roubar outros vizinhos. De vez em quando, eu tomava um osso dos vira-latas da rua e levava para mamãe fazer sopa.”

Falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto
Lara Brenner

“Que me perdoem os analistas de funções, tabelas, números complexos e logaritmos, mas desenvolvi uma teoria baseada em nada além do que meus próprios olhos e ouvidos vêm testemunhando há tempos: considerável parte do desamor que paira hoje no mundo se deve à incapacidade de interpretação de texto. Sim, senhores. A incompreensão da Língua tem deixado as línguas (e os dedos frenéticos que navegam pelos teclados) mais intolerantes, emburrecidos e inacreditavelmente loucos.”

A sublime arte de dormir de conchinha!
Jacques Fux

“Freud, conspiro, nunca dormiu de conchinha. Ele imaginava que o gozo, o deleite e a satisfação plena eram apenas impossibilidades. Nem desconfiava que a conchinha, que a verdadeira conchinha dos amantes, seria a realização de toda sua idealização. Lacan, confabulo, também nunca dormiu de conchinha. Ele dizia que a relação sexual perfeita não existia. Jamais concebeu a ideia de que a conchinha, que a autêntica conchinha dos apaixonados, fosse muito mais envolvente, íntima e profunda que o sexo propriamente dito. Tampouco Platão, o grande filósofo, que provou que tudo deveria principiar pelo amor, mas que ele, o Amor, apenas subsistia em um mundo distante, o das Ideias, foi capaz de refletir sobre a metafísica da conchinha. Se tivesse pensado, filosofado ou apenas adormecido carinhosamente nessa posição, teria certamente criado outras filosofias em seu famoso ‘Banquete’.”

Preferência não se discute; gosto, sim
Carlos Augusto Silva

“A situação da crítica literária junto a leitores, intelectuais, jornalistas, está cada dia mais irrespirável. Ser crítico literário, estudar a literatura de forma acadêmica, está se tornando algo tão complicado quanto apoiar o aborto, a legalização das drogas e a discussão a respeito do casamento gay. Politicamente correto é não se importar com a teoria, lixar-se para a tradição, mandar às favas qualquer crítica ou crítico produzido nos corredores da academia, sejam eles estruturalistas ou formalistas, ligados às teorias do imaginário ou às correntes dos estudos culturais.”

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Euler de França Belém, Edson Aran, Flávio Paranhos, Karen Curi e Lara Brenner fazem parte do time de autores do livro. Fotos: divulgação.

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