O legado de Cora Coralina: 130 anos de história e poesia

Poetisa nasceu há exatos 130 anos, em 20 de agosto de 1889, e fez história na literatura

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Cora Coralina. Foto: reprodução.

O dia 20 de agosto representa uma data muito especial para os goianos, amantes da literatura ou não. Há 130 anos, em 1889, nascia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Este nome talvez, não lhe seja tão familiar. Mas, quando se fala em Cora Coralina, imediatamente já é possível identificar de quem se trata.

Uma mulher de muitos talentos e à frente do seu tempo, Cora Coralina nasceu na cidade de Goiás, na Casa Velha da Ponte. A partir dali, de seu reduto, se tornou um dos nomes de referência da literatura goiana e brasileira.

A poetisa teve seu primeiro livro ‘Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais’ publicado em 1965, quando ela já tinha 76 anos. Posteriormente, veio o segundo, ‘Meu Livro de Cordel’, em 1976, seguido por uma segunda edição de Poemas dos becos de Goiás, no ano de 1978, Vintém de cobre – meias confissões de Aninha, em 1984; Estórias da Casa Velha da Ponte e o livro infantil Os Meninos Verdes, em 1985.

O reconhecimento de seu legado no Brasil e no exterior se deu a partir de 1975, o que atraiu olhares até de outros autores de renome na literatura brasileira para a sua obra, caso do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Cora era doceira de profissão. Viveu longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários e produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

Em 1983, Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG. Logo depois, no mesmo ano, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores. Faleceu dois anos mais tarde, em Goiânia, no dia 10 de abril de 1985, aos 95 anos.

Sua obra, porém, permanece viva. E esta é a homenagem da Factual nesta terça-feira, 20 de agosto, data que marca o lançamento do Ano de Cora Coralina, decretado pelo governador Ronaldo Caiado, em comemoração aos 130 anos da poetisa.

A seguir, um dos inspiradores poemas para relembrar seus versos e reanimar a fé e a esperança na vida.

Ofertas de Aninha (aos moços)

Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.

Creio numa força imanente
que vai ligando a família humana
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros
e angústias do presente.

Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futura dos erros e violências do presente.

Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.

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