Atentados terroristas na sede do Charlie Hebdo completam 1 ano

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Em 7 de janeiro de 2015, o mundo assistiu embasbacado a uma das cenas de violência mais bestiais dos últimos tempos. Dois irmãos jihadistas – Said e Chérif Kouachi entraram na redação do jornal francês Charlie Hebdo, conhecido por suas sátiras sobre comportamentos considerados refutáveis – especialmente o comportamento político e religioso e abriram fogo contra a equipe que trabalhava no local. O motivo? A acidez das críticas tecidas pelo veículo a respeito dos temas abordados, a exemplo das debochadas charges do profeta Maomé. O saldo da ação? 12 mortos no jornal. Nos dois dias seguintes, a conta foi ampliada com uma policial assassinada no dia 8 de janeiro, em Montrouge, sul de Paris e no dia 9, mais quatro pessoas em um mercado judaico.

Mas, ao contrário do que se pudesse esperar, Charlie Hebdo não paralisou suas atividades.

Muito menos, deixou de lado o teor crítico de suas publicações. Nesta quarta-feira, 06, véspera da data que marca 1 ano dos ataques, o jornal trouxe estampada na capa da Edição Especial uma charge bastante controversa, protagonizada por um “deus” em fuga, munido de um fuzil. A frase não poderia ser mais emblemática: “Após 1 ano, o assassino continua à solta”.

Charge de capa tem gerado polêmica entre os franceses e ao redor do mundo. Foto: divulgação.

Riss, chargista sobrevivente da ação dos terroristas e hoje, diretor editorial da publicação concedeu entrevista ao jornal francês Le Parisien, onde foi categórico na justificativa sobre sua forma de trabalho: “Charlie não a deixou, adverte o co-acionista e CFO. Nossa luta é sempre combater o fundamentalismo de todas as faixas. Todo mundo tem o direito de acreditar no que quiser. Mas a religião nunca estará para nós acima das leis da República”. E frisou sobre o pensamento dos opositores: “Definitivamente, nós gostando ou não, eles são “Charlie”!

Várias homenagens estão programadas nesta semana para relembrar as vítimas dos ataques. Uma placa com os nomes das 11 vítimas do Charlie Hebdo foi inaugurada em frente à antiga sede do semanário, com os dizeres “em memória das vítimas do ataque terrorista contra a liberdade de expressão”. Entre os presentes na ocasião, estavam o presidente francês François Hollande e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

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Quem não ficou nem um pouco confortável com a publicação foi a Igreja Católica. Em resposta ao Charlie Hebdo, o jornal do Vaticano L’Osservatore Romano acusou o semanário de buscar “manipular” a fé.“ Por trás da bandeira enganosa de um secularismo intransigente, o semanário francês mais uma vez esquece o que os líderes religiosos de todas as fés vêm pedindo há muito tempo: para rejeitar a violência em nome da religião e que o uso de Deus para justificar o ódio é uma verdadeira blasfêmia”.

“A ação do ‘Charlie Hebdo’ mostra o triste paradoxo entre um mundo que é cada vez mais sensível em ser politicamente correto a ponto de ser ridículo (…) mas não quer reconhecer ou respeitar a fé de quem crê em Deus, independentemente da sua religião.”

Apesar das duras críticas feitas ao Charlie Hebdo, o Vaticano declarou que os comentários do papa não foram feitos para justificar para os ataques.

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