A delícia de se ter opinião

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Opinião própria é quase artigo de luxo na atualidade. O que vivemos incide cada vez mais na questão de se abraçar um ponto de vista que já foi angariado por alguém. E aí… tome respostas prontas, fórmulas infalíveis, uma expressão medíocre de nossos ideais – que nem são nossos, nem são ideais.

Quando desemboca no campo político, aí é que a coisa degringola de vez e se complica. O show grotesco de horror começa na divisão imbecilizada de ‘Coxinhas X Petralhas’ por exemplo. Eu não gosto de ser fatalista, mas, onde estamos errando? Em que parte do caminho a nossa capacidade de ouvir e discordar civilizadamente encontrou ruídos e se perdeu?

O que defendo não é uma passividade frígida. Trata-se de uma questão de não aceitar o que está posto aí no sistema político brasileiro. Não está bom para mim e acho que para você também não. Isto, constato independente de cor ou bandeira partidária – haja vista que nem mesmo possuo uma. Só que o quadro pintado nestes dias mostra mais uma guerrinha pivete do ‘meu lado é mais bonitinho que o seu’ do que propriamente um projeto que gire em torno de uma solução para o país. Tudo é tão extremo e tão oportunamente mal aproveitado que, toda a revolta que aplicamos acaba por transformar-se em… memes de internet.

Como podemos discutir juntos, apesar de qualquer diferença ideológica em prol de um bem comum para nossa sociedade, para nosso país sem recair em joguinhos de poder para oprimir e calar a voz dos distintos de nós?

Adoro memes. Me fazem rir muito. Nem é esta a questão. O problema é a achincalhação derivada de uma simples expressão de opinião. Quando verbalizo uma linha de pensamento diferente daquela que meu próximo possui, estou absolutamente fadado a toda sorte de impropérios que envolvem minha vida pessoal entre outras coisas. Este tipo de atitude só corrobora com nossa burrice cotidiana e atesta o quão ainda somos incrustados em preconceitos e covardia e o quanto precisamos evoluir como seres humanos.

Mas isso deve nos desanimar? Não recomendo.

Podemos expressar nossas opiniões, por mais absurdas que possam parecer. Esta liberdade é defendida, constitucionalmente, inclusive (Art. 5, inc. IX da Constituição Federal de 1988). Pauto-me pelo desafio de exercitarmos o respeito mútuo. Como podemos discutir juntos, apesar de qualquer diferença ideológica em prol de um bem comum para nossa sociedade, para nosso país sem recair em joguinhos de poder para oprimir e calar a voz dos distintos de nós? Emitir opiniões, ainda que seja relativamente perigoso, continua sendo uma delícia.

Será que evoluiremos como indivíduos e na vida coletiva a tal ponto? Pulverizo esta pergunta no ar.

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