Editorial: Jair Bolsonaro é o novo presidente – e terá missão árdua

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editorial factual 2018
Como já se sabe, Jair Messias Bolsonaro (PSL), foi eleito neste domingo (28), o 38º presidente da República. Em um segundo turno acirrado, ele levou a melhor sobre o candidato Fernando Haddad (PT) e venceu com 55% dos votos válidos.

Não entraremos no mérito das falas polêmicas proferidas por Bolsonaro ao longo de toda a sua campanha e de toda a sua atuação como parlamentar. Estas frases já foram repetidas à exaustão durante os programas políticos e por opositores nas redes sociais. Passadas as eleições, o Brasil agora precisa se concentrar na missão do novo presidente – nada fácil – diga-se de passagem.

Em seu pronunciamento oficial como presidente eleito, Jair Bolsonaro defendeu uma nação democrática, os princípios constitucionais, redução da estrutura governamental e da burocracia, bem como cortes de desperdícios e privilégios, isto só para exemplificar algumas ações.

O discurso contém ainda um trecho em que Bolsonaro afirma: “Liberdade é um princípio fundamental: liberdade de ir e vir, de andar nas ruas, em todos os lugares deste país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de informar e ter opinião. Liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas.”

Diante disso, cabe agora a Bolsonaro se fazer representante não apenas dos 55% que o elegeram, com mais dos 57 milhões da votação que obteve. O novo presidente precisa ter foco na árdua missão de representar os outros 45%, que não deram a ele os seus mais de 47 de milhões de votos e garantir seus direitos.

Que o Brasil está dividido, não dá para negar. Afinal, Bolsonaro venceu em 16 estados, enquanto Haddad, em 11 – principalmente da região Nordeste – alvo de ataques xenófobos em outras partes do país em virtude da opção de uma parcela do eleitorado pelo candidato do PT e da não escolha do candidato do PSL, por não se perceber representado por suas propostas.

O futuro presidente deverá compreender e adotar um discurso de chefe de Estado. E por mais que seu lema, que inclusive deu nome à sua coligação tenha sido “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, Jair Bolsonaro precisará se empenhar em unir o país e proporcionar a todos a liberdade como princípio fundamental – e constitucional – qualquer que seja a orientação religiosa, política e sexual dos indivíduos, tão veemente na diversidade do povo brasileiro.

Nunca é demais lembrar que, apesar de uma maioria cristã, o Estado é Laico.

O contraditório e a oposição vão continuar existindo. E isto é salutar em uma democracia como a que vivemos. A partir das eleições de domingo, foi dado início a um novo ciclo, indiscutivelmente.

Se quiser de fato, governar “uma nação livre, democrática e próspera”, como propôs em seu pronunciamento, Bolsonaro vai ter que optar por um discurso aglutinador, que garanta de fato, para além das ações governamentais, as liberdades individuais, a continuidade do funcionamento sólido das instituições e um menor belicismo no tom que se dirige ao povo brasileiro. Este que, por vezes, tem se refletido em práticas intimidatórias e revanchistas por uma parte da sociedade alinhada a ele – especialmente no que tange às minorias.

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