MDB rompe com Rogério Cruz e desembarca da Prefeitura de Goiânia

Na ocasião, 14 auxiliares entregaram seus cargos. Confira os nomes

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Daniel Vilela, presidente estadual do MDB, em coletiva na manhã desta segunda-feira (5). Foto: divulgação

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (5), o MDB anunciou oficialmente o rompimento com a gestão do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), que assumiu a prefeitura em definitivo após a morte de Maguito Vilela (MDB), prefeito eleito que faleceu em 13 de janeiro deste ano, por complicações da Covid-19.

O partido desembarca da Prefeitura de Goiânia após uma série de desentendimentos motivados por trocas feitas por Rogério Cruz em parte do secretariado definido em conjunto com o então candidato Maguito.

Na reunião desta segunda-feira, 14 auxiliares entregaram seus cargos na Prefeitura de Goiânia. São eles: Agenor Mariano (Secretaria de Planejamento e Habitação); Alessandro Melo da Silva (Secretaria de Finanças); Antônio Flávio de Oliveira (Procuradoria Geral do Município); Carlos Júnior (Secretaria de Desenvolvimento e Economia Criativa); Célio Campos de Freitas Júnior (Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia); Colemar José de Moura (Controladoria Geral do Município); Euler Morais (Secretaria de Relações Institucionais); Filemon Pereira (Secretaria de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas); Gean Carlo Carvalho (Secretaria Executiva de Assuntos Estratégicos); José Frederico Lyra Netto (Escritório de Prioridades Estratégicas); Kleber Adorno (Secretaria de Cultura); Leandro Vilela (Secretaria Extraordinária); Murilo Ulhoa (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos) e Pedro Chaves (Secretaria de Mobilidade).

Dos nomes indicados pelo MDB para compor o secretariado, apenas Durval Pedroso, secretário municipal de Saúde, seguirá na gestão atual. Lideranças do partido avaliam que a saída do auxiliar em meio ao grave momento da pandemia não seria adequada.

Na semana passada, Luiz Bittencourt já havia pedido exoneração da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), após decreto do prefeito que suspendeu por 4 meses os contratos de recuperação e reconstrução de vias públicas.

Antes dele, o prefeito exonerou Andrey Azeredo (MDB), da Secretaria de Governo, além de titulares de outras pastas, a exemplo da Administração, Comunicação, Educação, Comurg e, por fim, desligou Zilma Precursor da Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA), na última quarta-feira (31). Em seu lugar, nomeou Luan Alves, filho do vereador Clecio Alves (MDB).

Oposição

O agora ex-secretário de Planejamento e Habitação, Agenor Mariano, que foi o coordenador da campanha de Maguito Vilela à Prefeitura de Goiânia, saiu em defesa da honra dos secretários que deixam as pastas. Ele afirmou que prefere “viver de pé do que morrer de joelhos por cargos”.

“Não vamos nos ajoelhar em troca de cargo, em troca de secretaria. Nunca brigamos por cargo ou por secretaria. Mas, pra ser sincero, questionamos sim, os nomes que foram colocados no lugar daqueles que saíram. O problema aqui não é cargo. O problema aqui é saber quem você está pondo no cargo. É saber quem vai conduzir os rumos da cidade a partir de agora na ocupação desses cargos”, disse.

Agenor Mariano destacou que não houve pressão para que os secretários entregassem os cargos. “Nós estamos aqui por senso de responsabilidade”, pontuou. E adotou um discurso duro direcionado ao prefeito e ao seu partido. “Como religioso que sou, digo ao prefeito Rogério Cruz e ao partido Republicanos: todos nós que estamos aqui hoje, se estivéssemos na Santa Ceia, entregaríamos o pão molhado de vinho pra vocês, traidores.”

Daniel Vilela, presidente estadual do MDB, iniciou sua fala afirmando que foi o que mais perdeu neste processo, em referência à morte do pai, Maguito. “Ninguém mais do que eu perdeu com os acontecimentos. Minha maior perda não foi política. Minha maior perda foi meu pai”, declarou.

Daniel pontuou que há um sentimento doloroso, de que esta decisão não fazia parte do combinado. “O combinado era a defesa, a execução de um projeto muito bem construído, escolhido pelos goianienses. Infelizmente, o prefeito Rogério busca um outro rumo. Sabe-se lá por quais razões, interrompe um diálogo conosco e toma atitudes administrativas que nos sugerem que o desejo deles era, de fato, de não ter a participação do MDB e de outros gestores que foram escolhidos pelo prefeito Maguito.”

Durante a coletiva, o dirigente disse que “Goiânia está num voo às cegas”. E reforçou também que a partir de agora, o partido deve trilhar o caminho da oposição à gestão de Rogério Cruz.

“Penso eu que o partido, com toda certeza, por seus integrantes que não são mandatários no Legislativo municipal, tem hoje o entendimento, pelas conversas que tive que não há outro caminho a não ser fazer parte da oposição ao prefeito, mas uma oposição inteligente, construtiva e que vai cobrar a realização dos compromissos assumidos ao longo da campanha. Esse talvez seja o papel do partido nesse momento onde vemos essa mudança de rumo da prefeitura”, afirmou Daniel.

Recomposição administrativa

Em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que o prefeito Rogério Cruz, concederá entrevista coletiva nesta segunda-feira (5), às 12h30, no Paço Municipal, para tratar sobre a recomposição administrativa.

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