Banda Katsbarnea grava novo DVD na Renascer Arena, em São Paulo

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Um fenômeno. Um divisor de águas. Talvez, tais expressões sejam as que melhor traduzam o que foi o surgimento da revolucionária banda Katsbarnea. O grupo, formado no fim da década de 1980, mais precisamente em 1988, arrebatou fãs com suas canções que, mais que um discurso religioso, expressava críticas ferrenhas e propunham uma alternância ao ritmo de vida tresloucado de uma juventude ao qual tinham o intuito de alcançar através de suas canções. O tempo passou e 28 anos depois, o Katsbarnea prepara o lançamento do DVD ‘A Carne e o Sangue’ para o próximo dia 16 de abril, na Renascer Arena em São Paulo.

Dona de hits consagrados pelo público, especialmente o do rock cristão, como ‘Sepulcro Caiado’, ‘Cristo ou Barrabás’, ‘Gênesis’, ‘Apocalipse Now’ entre outros clássicos, a banda Katsbarnea promete muito agito, em uma noite permeada pelo bom e velho rock n’ roll que visa transmitir uma mensagem de fé, transformação e arrependimento. Sobre a proposta do DVD e a carreira, conversamos com o vocalista Paulinho Makuko em uma entrevista exclusiva que você acompanha a partir de agora.

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A banda teve início em 1988, certo? Conte-nos como foi o início e a recepção das igrejas ao rock n’ roll naquele período.

Bom, na verdade, nem existia música gospel como é hoje, o gênero gospel. Era uma coisa muito careta, muito cafona, enfim. E ninguém podia tocar rock, era outro estilo de música. E aí, tivemos a ideia de fazer uma banda de rock gospel, até porque foi o período que me converti em 1988 e nós ganhamos o Fico (Festival Interno do Colégio Objetivo). A banda surgiu antes no mercado secular, mas já sendo gospel. Depois ela foi introduzida e começamos a tocar e as pessoas começaram a ir numa igreja árabe que era a Renascer (em Cristo), no Paraíso em São Paulo e divulgávamos na Avenida Paulista. Nós mesmos fazíamos a mídia, entendeu? E começou a crescer o movimento, a gente fazia as músicas todas baseadas no que Jesus disse, no lance interior da pessoa. Mas a resistência com relação às igrejas era total, ninguém aceitava a gente, algumas não aceitam até hoje, por incrível que pareça. Mas eu não liguei para isso não. Eu estava pensando em fazer uma boa música, levar a mensagem de Jesus e a juventude entendeu que era isso que eu realmente queria e ponto. Agora, as dificuldades, nós passamos por cima porque, com Jesus não tem como dar errado, sempre dá certo.

São 28 anos desde o início da banda. Com base em todo este tempo de estrada, vocês avaliam que foi mais difícil evangelizar no começo, ou hoje em dia a pregação do evangelho encontra mais desafios em meio aos jovens?

Eu não via dificuldade nenhuma, entendeu? Eu acho que hoje não há dificuldade. Hoje está muito formatado, aquela coisa que “tem que ser daquele jeito”, “tem que ser assim, porque se não for assim você não entra na igreja”. E eu acho que isso aí foge do que Jesus quer a gente faça, né? Então, eu não posso ter preconceito nem fazer acepção de pessoas, entendeu? Então, no meu modo de ver, se uma igreja não me aceita porque é rock, ela está fazendo acepção de pessoas e isto está fora da palavra, como outras coisas também. Então, não pode haver isso no reino de Deus, aqui no nosso meio como cristãos. Isso fica para outras situações, né? (Risos) Mas eu acho que antes, como a gente estava começando a fazer tudo, uma novidade, uma coisa que estava surgindo, não existiam interesses de outras indústrias, enfim, era tudo muito mais natural. Aí tudo muda, né? Foi crescendo, crescendo, crescendo e absorvendo e virou meio que uma máquina de comércio. Aí todo mundo quer gravar gospel, todo mundo quer tocar, quer ser cantor, e não é todo mundo que nasceu para isso. Então, ficou aquela coisa ‘demais’. Nas igrejas, qualquer um vira pastor ou quer abrir uma igreja e a coisa não é assim que funciona, tem que haver uma maturidade, você tem que saber, ter respeito com as coisas de Deus, não é assim que funciona. Então, como uma banda de rock a gente encontra alguma dificuldade hoje em dia, mas eu acho que ao contrário, com as mídias sociais, isso terminou sendo favorável para nós. Nós usamos para o bem. E eu não perco a minha naturalidade com a minha música.

Os anos 80 foram bastante frutíferos para a cena do rock brasileiro em geral, pautada pelo cenário político e pelas ótimas bandas do exterior. Além da devoção a Deus, o que mais influenciou o início da Katsbarnea? Ou quem são estas influências?

Os anos 80 realmente foram uma época demais, né? Ainda bem que a gente surgiu no final dos anos 80 e decolamos nos anos 90 em diante. Porque as bandas de rock dos 80 estavam em cima do lance da política, tinha as que falavam de amor também, mas o lance era em cima da política, buscando a liberdade do Brasil da ditadura entre outras coisas. Quando surgimos, nós aproveitamos desta situação para falar de Jesus com relação à desigualdade social também, porque uma coisa está ligada à outra. Jesus quer que você dê comida a quem tem fome, roupa a quem tem frio, casa a quem não tem onde morar, que você ajude ao próximo. Isso é uma coisa que também está na política, apesar de Jesus não fazer política/politicagem com ninguém. Mas temos que ajudar ao próximo. Então, a gente baseou essa coisa no amor, que é Jesus. E aí surgimos com ‘Extra Extra’, com ‘Sepulcro Caiado’, com ‘Corredor 18’, que fala que Jesus está no cinema, Ipanema, no Leblon, no avião, no metrô, no elevador, enfim, onde você está, ali Jesus está presente, só que a gente achou uma forma diferente de falar, não ficou aquela coisa óbvia. E aí, as pessoas que não eram cristãs começaram a querer entender e conhecer que banda é essa, que fala de um jeito diferente de Jesus. Foi isso, em cima do rock. Agora, influências musicais, bom… minhas influências são Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen, Deep Purple, essas bandas que eu sempre curti. Mas a banda que eu gosto mesmo é Katsbarnea, a minha banda.

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Katsbarnea durante apresentação. Foto: arquivo da banda.

Geralmente, o rock por si só, já é um gênero que produz uma carga altamente questionadora em suas músicas. Quais assuntos vocês sentem necessidade de abordar e questionar em suas apresentações e composições?

Olha só. Na verdade o rock é justamente isso. Ele é livre, é uma atitude, é um estilo de vida, digamos assim, né? Meu estilo de vida é rock n’ roll e Jesus Cristo, entendeu? Então, eu falo o que eu sinto, aquilo que eu quero expressar. Eu falo a minha arte. Eu leio um trecho. Por exemplo, o DVD ‘A Carne e o Sangue’, são músicas já clássicas, músicas atuais e músicas do cd ‘A Tinta de Deus’, ou seja, eu já venho falando isso nas minhas músicas, sobre Jesus. Então, é fácil de você entender, não é preciso de filosofia humana para falar de Jesus, entendeu? O rock leva a isso de maneira direta. As minhas composições são baseadas realmente nesta questão de abordar o seu relacionamento com Deus. Você tem que viver normalmente, fazer suas coisas, porém você tem que entender que Deus está contigo, as coisas passam a ser diferentes. Para isso, você precisa abrir o seu coração, ou não, aí depende de você. Não depende de mim. Eu abri, ele entrou e eu sou esse cara que eu sou, transformado. Agora, eu não vou empurrar Jesus goela abaixo de ninguém, nem ele mesmo fez assim, entendeu? O que falta nas minhas composições e apresentações? Eu não sei o que falta. O que falta esta para vir, é Jesus quem vai dar, então eu fico tranquilo. Porque eu vivo assim, eu não quero ser como antes. Eu quero ser o novo. É isso.

Na atualidade, vocês consideram que o cenário, especialmente dentro das igrejas continua propício para o surgimento de novas bandas? Como definem a atual fase do rock cristão brasileiro?

Com relação ao rock dentro do cenário da igreja, não estão surgindo bandas de rock, não sei o que está acontecendo com a galera. Eu sinceramente não gosto do estilo gospel que estão fazendo hoje. Não me agrada. Eu acho que é muita repetição. Eles vão buscar uma fórmula que acham que é aquilo. Então já virou uma indústria, você tem que falar aquilo, porque se você não falar aquele verso, o irmão não vai aceitar. Você tem que ser uma ovelha livre, com Jesus, não uma ovelha no curral, entendeu? Então, é isso que você tem que ser, o rock é livre, Jesus é livre. Você tem que estar na igreja, se alimentando, buscando, cumprindo com suas ações, etc. Isso é normal. É parte da vida, tem que ser feito. Mas não estão surgindo bandas novas de rock e quando surgem, são as mesmas letras, é copiando Third Day (banda americana de rock e música cristã contemporânea), copiando Hillsong (ministério australiano de música cristã contemporânea), copiando esses lances aí, entendeu? Não pinta nada para falar “o estilo do cara ou da banda mesmo é assim”. O meu estilo e o estilo do Katsbarnea é um estilo próprio de rock. Então falta isso, atitude, chegar e fazer. Agora ficam fazendo estas coisas que estão fazendo por aí. Acho que não tem nada a ver. Mas acho que também é válido porque o que importa é quando você leva a palavra de Deus. Se alguém está sendo tocado, glória a Deus, é isso que importa. Agora, se ficar tocando só para dentro da igreja, como você vai ganhar as vidas lá fora? É isso. Agora também, por outro lado, cada um vende seu peixe. Então, eu vendo os meus ‘limões’ em paz e cada um faz a obra de Deus. Mas a minha crítica, é que não estão pintando umas coisas legais.

Sobre o DVD ‘A Carne e o Sangue’, o que o público pode esperar desta noite. O que está sendo preparado para este show?

Sobre o DVD ‘A Carne e o Sangue’, já diz tudo, né? Podem esperar muito de mim e da banda, com certeza. Não vou dar uma aqui de fariseu, de hipócrita: “não… Deus vai fazer a obra”. Vai! Com certeza! Estará presente, pois sem ele não existiria nada. Mas, para isso, nós estamos preparados para chegar e agir e fazer o maior som de rock mesmo, chegar lá e glorificar o nome de Jesus. Por isso estamos preparados, sabe? Porque Deus faz a obra? Faz! Ele vai à frente. Mas eu também tenho que estar pronto e saber fazer. Para ele falar: “nossa, como o Katsbarnea faz legal, né? Eu estou até curtindo o Kats aqui.” Tem que ser um lance assim, cara, entendeu? Porque colocar tudo na mão de Deus é fácil. Eu quero ver você fazer e Deus lhe honrar e falar: “meu servo faz”! É assim que eu gosto, é assim que é rock n’ roll, é assim que é Jesus Cristo. Ou você acha que aquele calvário, levando aquela cruz, aquilo ali era uma coisa qualquer? Não. Era por mim, por você e pelos hipócritas, fariseus que criticam. Morreu por todos e ressuscitou. E se a gente não comer a carne dele e beber o sangue dele, não vamos ressuscitar. Saibam disso, raça de víboras. (ironia)

Em algumas palavras, como vocês caracterizam todos estes anos de carreira? E quais os projetos futuros da banda?

Eu caracterizo estes anos todos de carreira como uma maravilha. Aprendi a levantar os troféus, aprendi a ser campeão, aprendi na derrota, aprendi a atravessar o deserto, aprendi a andar no rio, aprendi a andar no mar, aprendi a deixar o meu barco ser guiado por Jesus Cristo. Então, aprendi muita coisa. Aprendi a ficar em silêncio, aprendi a ouvir as críticas, fui à lona, mas tive mais um ‘round’, levantei e venci, estas coisas que a vida faz. E eu estou aí, com mais um DVD preparado e soube esperar em Deus para fazer algo bem diferente, é isso. O futuro? Eu não sei sobre o futuro, porque quem não tem passado se contenta com o futuro. Eu não sei qual é o futuro. O futuro é quando Deus vai soltando as frutas, você vai comendo e vai deixando os frutos. Futuro para mim é isso. Projetos sempre vão haver. Eu nunca paro de produzir. Estou sempre compondo, sempre descobrindo coisas novas. Eu não tenho medo do que é novo, dos desafios, sempre gosto de descobrir o novo. Estou com uma rapaziada super legal comigo na banda agora que tem altas ideias novas, coisas modernas, eu aprendo muito com eles, eles aprendem muito comigo, é tudo muito compartilhado. Então eu acho isso muito positivo. Eu jamais vou chegar e fazer algo que todo mundo faz. Eu não. Vou fazer algo diferente porque eu acho que o segredo das coisas está no novo, em você criar, arriscar. Se deu certo ou não, está nas mãos de Deus. Mas, eu quero fazer o novo. É isso, eu quero arriscar, eu não tenho medo. É isso aí. Jesus Cristo, a carne e o sangue. Porque se você comer da carne de Jesus e beber do sangue, Ele estará em você e você nEle. E no terceiro dia, Ele vai te ressuscitar. Amém!

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Gravação do DVD ‘A Carne e o Sangue’ – Banda Katsbarnea 

Quando: 16 de abril de 2016
Horário:
 20 horas
Onde: Renascer Arena – Marginal Tietê, 3700 – São Paulo – SP
Quanto: Arquibancada – R$ 20,00 / Pista – R$ 30,00
Vendas Físicas: Igrejas Renascer
Vendas On-line: http://gospelbay.com.br

https://youtu.be/YzFIXtLX3qM

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