Caiado anuncia distribuição de absorventes a estudantes da rede pública e mulheres em situação de vulnerabilidade em Goiás

Medida ocorreu um dia após o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à distribuição do produto de higiene menstrual

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Foto: reprodução/Pixabay

Na tarde da última sexta-feira (8), o governador Ronaldo Caiado (DEM) anunciou que o governo estadual fará a distribuição de absorventes a estudantes da rede pública e mulheres em situação de vulnerabilidade em Goiás.

A fala ocorreu um dia após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetar a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda de escolas públicas, pessoas em situação de rua e de vulnerabilidade na última quinta-feira (7).

A justificativa de Bolsonaro para o veto é de que o projeto não estabeleceu uma fonte de custeio.

Entretanto, o projeto de lei 4968/2019, de autoria da deputada federal Marília Arraes (PT-PE), que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, prevê que os recursos venham do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), para mulheres presas.

Na ocasião, Caiado comentou a repercussão do veto de Bolsonaro em veículos de imprensa e destacou que, segundo a mídia, um dos motivos das jovens não estarem indo às aulas é por não terem condições de comprar um absorvente. “Veja o quanto a gente tem que ter uma visão social para não deixar com que situações como essa sejam motivo de desequilibrar a vida de uma criança, de um jovem, de um adolescente”, afirmou.

O governador se comprometeu com a distribuição do produto de higiene menstrual e repassou a determinação aos secretários da Educação, Fátima Gavioli, e de Desenvolvimento Social, Wellington Matos.

“Essas pessoas estão fugindo da aula porque elas não tem ambiente para estar lá por não terem condições de ter um absorvente. Nós vamos cuidar disso em uma velocidade ímpar. Já determinei à minha secretária para que faça [a distribuição dos absorventes] à todas as alunas da rede pública como também, para as famílias vulneráveis do nosso Estado de Goiás”, declarou Caiado.

Confira o vídeo:

Pobreza menstrual

A pobreza menstrual é caracterizada pela falta de acesso a recursos, infraestrutura e até conhecimento por parte de pessoas que menstruam para cuidados envolvendo a própria menstruação.

Lançado em maio de 2021, o relatório ‘Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos’, desenvolvido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), aponta que esta situação é desencadeada entre outros fatores pela falta de acesso a produtos adequados para cuidado da higiene menstrual, como absorventes descartáveis, absorventes de tecido reutilizáveis, coletores menstruais descartáveis ou reutilizáveis, calcinhas menstruais, além de papel higiênico e sabonete, entre outros.

Segundo o documento, pesquisas realizadas em várias regiões do mundo mostram que quando não há acesso adequado aos produtos de higiene menstrual, meninas e mulheres fazem uso de soluções improvisadas para conter o sangramento menstrual com pedaços de pano usados, roupas velhas, jornal e até miolo de pão.

O estudo revela um dado alarmante: 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Dessa forma, a dificuldade no acesso a serviços públicos e a pobreza menstrual podem ser fatores de estigma e discriminação, levando muitas vezes à evasão escolar.

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