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Goiás decreta emergência para enfrentar avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave; entenda

Decreto em vigor garante ao Estado R$ 2 mil por diária de incentivo federal para leitos de UTI, mas saúde estadual também alerta para a baixa cobertura vacinal

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), divulgou na última sexta-feira (17/4) o Plano de Ação Estadual de Enfrentamento à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Com a publicação do Decreto de Emergência nº 10.895, na quinta-feira (16/4), o Estado oficializou a adesão à Portaria Federal nº 10.484, que assegura incentivo financeiro de R$ 2 mil por diária para leitos de UTI e R$ 500 para Suporte Ventilatório Pulmonar (SVP).

Além disso, foi instalado um Comitê Operacional de Emergência (COE) com a participação dos demais representantes das redes municipal, estadual, federal, filantrópica e privada; entidades médicas e multiprofissionais. A função principal do COE é o monitoramento dos dados e deliberação sobre ações de contingência, enquanto durar a emergência.

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As medidas são uma resposta antecipada ao cenário epidemiológico que, embora apresente estabilidade em relação ao ano anterior, registra pressão constante sobre a rede de saúde. Apenas nos primeiros 8 dias de abril, Goiás contabilizou 480 solicitações de internação por SRAG, mantendo a média de março, que fechou com mais de 1,8 mil pedidos.

O volume de solicitações de internações no primeiro trimestre de 2026 é superior ao registrado em 2024, evidenciando uma sobrecarga precoce do sistema. O decreto de emergência visa antecipar a mobilização de recursos para garantir que a rede hospitalar suporte essa demanda crescente e continue assegurando assistência a todos os cidadãos.

Estrutura

Com o decreto, o Estado espera mobilizar uma Rede de Atenção à Saúde com leitos exclusivos para a SRAG em Goiás, integrada por unidades estaduais, municipais e contratualizadas, podendo chegar a 564 leitos dedicados a pacientes com Srag entre UTI e enfermaria com suporte ventilatório, a partir da adesão dos municípios.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, o decreto garante agilidade para contratação de pessoal e aquisição de insumos.

“Estamos nos antecipando a um cenário de aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave para evitar a sobrecarga do sistema de saúde”, afirmou Rasível Santos.

O incentivo federal de custeio excepcional será destinado a estabelecimentos que compõem a Atenção Especializada do SUS no estado, garantindo a sustentabilidade financeira das unidades durante os 90 dias de vigência do decreto.

Leitos na rede própria estadual

O governo estadual já vem ampliando os leitos pediátricos e neonatais na rede própria da SES. Em 7 anos, os leitos de UTI neonatal passaram de oito para 67, o que representa um aumento de 737,5%.

Já os leitos de UTI pediátrica evoluíram de 42 para 123, crescimento de 192,9%. Os leitos de enfermaria pediátrica também tiveram expansão significativa, passando de 102 para 242, aumento de 137,3%.

Além disso, em 2018, o Estado possuía um total de 1.635 leitos de internação enfermaria e unidade de terapia intensiva (UTI), na rede própria e contratualizada. Em 2026, esse número saltou para 4.221 leitos.

Baixa adesão à vacina desperta preocupação

Apesar dos esforços para o reforço da estrutura hospitalar, a SES-GO alerta para a baixa adesão à vacina contra a gripe. Atualmente, a cobertura vacinal em Goiás é de apenas 16,19%, número considerado insuficiente para frear a circulação viral nos grupos mais suscetíveis a formar quadros graves, que necessitam de internação, como idosos e crianças.

“A vacinação é fundamental nesse momento, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, pois reduz significativamente os casos graves e a necessidade de internação”, reforça Rasível.

A vacinação contra a Influenza começou em Goiás no último dia 28 de março, com mais de 115 mil doses aplicadas no Dia D de Vacinação contra Influenza. A cobertura vacinal para os grupos prioritários está em 16,92% no Brasil e 16,19% em Goiás. A vacinação permanece sendo realizada nas mais de 1 mil salas de vacinação nos municípios goianos para os grupos prioritários.

Dados epidemiológicos de SRAG em Goiás

A SES registrou, no ano passado, 12.085 casos de SRAG. Em 2026, foram registrados 2.560 casos até a Semana Epidemiológica 15. Até o momento, não é possível perceber aumento de casos na comparação com o mesmo período do ano anterior, considerando os dados até a semana epidemiológica 14, quando foram registrados 2.909 casos em 2025 e 2.527 casos em 2026, desconsiderando as duas últimas semanas epidemiológicas (atualmente, estamos na semana epidemiológica 15).

É importante destacar que os dados das duas últimas semanas epidemiológicas não são considerados para a análise, pois podem não refletir a realidade, em função do atraso no preenchimento das informações nos sistemas por parte dos municípios.

Em relação ao número de casos por H3N2, dos 2.560 casos de SRAG registrados neste ano, 126 são por Influenza, sendo 34 por Influenza A H3N2.

Há tendência de aumento de casos respiratórios em todo o país nos próximos meses, especialmente entre crianças menores de 2 anos, conforme boletins recentes divulgados pela Fiocruz.

Orientações

Para garantir a eficiência do atendimento, a SES-GO orienta que a população utilize a rede de forma hierarquizada. Em casos leves, como febre e tosse, deve-se procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Já os casos com sinais de alerta, como falta de ar e saturação de oxigênio abaixo de 95%, devem ser encaminhados às UPAs e hospitais de referência.

São válidas ainda as recomendações de profilaxia em casos de gripe, tais como: o uso de máscara em locais públicos – se estiver com sintomas gripais, lavar as mãos com frequência, uso de álcool em gel, evitar locais aglomerados – em especial crianças e idosos e aumentar a hidratação.

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Redação

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