
A quinta rodada da pesquisa Genial/Quaest de 2025, divulgada nesta quarta-feira (20/8), mostra que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é desaprovado por 51% dos eleitores e aprovado por 46%. Apesar da desaprovação pela maioria, o resultado confirma uma tendência de recuperação da avaliação do governo iniciada na pesquisa anterior, de julho, depois de registrar recuos sucessivos de dezembro até maio, quando foi registrado o resultado mais negativo: 57% de desaprovação contra 40% de aprovação.
Além da avaliação nacional, o levantamento sobre o atual panorama político contou com a opinião de eleitores de oito Estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Pernambuco.
A melhora na aprovação do governo foi constatada na maior parte dos recortes da pesquisa, principalmente na base de apoio do presidente e entre os eleitores que declaram não ter posição política. Entre as mulheres, a aprovação oscilou positivamente 2 pontos percentuais, encostando na desaprovação, de 49%.
No Nordeste, a aprovação subiu de 53%, em julho, para 60% – diferença de 23 pontos percentuais sobre a desaprovação. Nos dois Estados da região incluídos na pesquisa, a aprovação registrou alta significativa. Na Bahia, subiu de 47% para 60%, enquanto a desaprovação caiu de 51% para 39%; em Pernambuco, avançou de 49% para 62%, e a desaprovação recuou de 50% para 37%. Em ambos os Estados, houve empate técnico na pesquisa anterior.
Entre os que têm até o Ensino Fundamental, a aprovação passou de 51% para 56% e a desaprovação oscilou negativamente de 42% para 40%. Entre os mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos, o governo tem 55% de aprovação e 40% de reprovação. Em julho, houve empate técnico nessa faixa: 50% aprovavam e 49% desaprovavam.
O governo recuperou a aprovação também entre os católicos (54%) e entre os beneficiários do Bolsa Família (60%).
A comparação entre os governos de Lula e de Jair Bolsonaro (PL) voltou a registrar vantagem para o presidente: 43% o consideram melhor, contra 40% em julho; o percentual dos que pensam o recuou de 44% para 38%. Entre os eleitores que informam não ter posicionamento político, a avaliação também se inverteu. Na pesquisa atual, 37% dizem que o governo Lula é melhor, 32% que é igual e 27% que é pior.
Preço dos alimentos
O grande destaque da pesquisa é a queda na inflação dos alimentos. A percepção de que houve alta no preço da comida recuou de 76% em julho para 60% em agosto. Para 20% os preços ficaram iguais e para 18%, caíram. Em julho, eram 8%.
Essa percepção se repete em todas as regiões. Como consequência, a opinião de que o poder de compra é menor do que há 1 ano recuou de 80% para 70%, e a expectativa para os próximos meses, que vinha se deteriorando continuamente, agora está dividida ao meio: 40% acham que o panorama vai piorar, 40% que vai melhorar.
Para o CEO da Quaest, Felipe Nunes, a melhora na aprovação do governo Lula em agosto resulta da combinação de fatores econômicos e políticos.
“A percepção do comportamento do preço dos alimentos trouxe alívio às famílias e reduziu a pressão sobre o custo de vida. Ao mesmo tempo, a postura firme de Lula diante do tarifaço imposto por Donald Trump foi vista como sinal de liderança e defesa dos interesses nacionais. Menos pressão inflacionária somada à imagem de um presidente que reage a desafios externos ajudam a explicar o avanço de sua aprovação neste momento”, diz Nunes.
Tarifaço de Trump
A pesquisa revelou ainda que o embate entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo brasileiro é de amplo conhecimento do eleitor. 84% disseram que souberam da carta do líder americano para Lula, contra 60% em julho, enquanto o percentual de desconhecimento caiu de 33% para 16%. Para 71%, Trump está errado ao impor taxas por acreditar que existe perseguição ao ex-presidente Bolsonaro.
Nesse embate, Lula e o PT estão fazendo o que é mais certo para 48% dos entrevistados, enquanto para 28% Bolsonaro e seus aliados é que têm razão. Para 15% ninguém está certo. Ao mesmo tempo, 41% consideram que o presidente está se aproveitando da situação para se promover, contra 49% que avaliam que Lula está agindo em defesa do Brasil.
Sobre Eduardo Bolsonaro (PL), a maioria dos entrevistados, correspondente a 69%, diz que o deputado está defendendo os interesses dele e de sua família, enquanto apenas 23% acreditam que está defendendo os interesses do Brasil.
Para 77% dos entrevistados, as altas tarifas vão prejudicar sua vida e 64% entendem que elas aumentarão o preço dos alimentos no Brasil. 67% defendem que o país negocie com os EUA, enquanto 28% pensam que o Brasil deveria reagir taxando os produtos americanos.
Sobre a possibilidade de sucesso nas negociações, entretanto, as opiniões se dividem: 48% acreditam que Lula conseguirá um acordo e 45% acham que não.
Metodologia da pesquisa Genial/Quaest
A pesquisa foi feita entre os dias 13 e 17 de agosto, e ouviu 12.150 brasileiros de 16 anos ou mais, através de entrevistas presenciais que utilizaram questionários estruturados. A margem de erro estimada da pesquisa nacional é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.
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