Violins chega aos 25 anos com ‘Aguacêro’, 10º disco e novo mergulho nas contradições do mundo
Álbum é o primeiro trabalho de inéditas da banda goiana desde 2018

Há coisas que sustentam a vida, mas que também podem destruí-la. A água é uma delas. É justamente nessa contradição que o Violins mergulha em ‘Aguacêro’, 10º disco da banda goiana, que chega às plataformas de streaming, via Monstro Discos, em um momento simbólico: o grupo completa 25 anos de trajetória em 2026. O álbum é também o primeiro trabalho de inéditas da banda desde ‘A Era do Vacilo’, de 2018.
Ao longo de duas décadas e meia, o Violins construiu uma trajetória singular no rock independente brasileiro, tendo Goiânia como ponto de partida e referência.
Formada em 2001, a banda surgiu em meio à efervescência que transformaria a capital goiana em um dos principais polos da música independente no País. Desde os primeiros anos, esteve ligada a festivais e iniciativas que ajudaram a projetar essa cena nacionalmente, como o Goiânia Noise, além de manter uma parceria de longa duração com a Monstro Discos.
O reconhecimento veio também de fora de Goiás. ‘Tribunal Surdo’, lançado em 2007, foi escolhido pela revista Rolling Stone entre os 25 discos brasileiros mais importantes daquele ano. ‘Grandes Infiéis’, de 2005, também recebeu destaque em listas de melhores discos, enquanto a produção da banda passou por veículos como Folha de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Veja e Correio Braziliense.
Agora, aos 25 anos, o Violins volta ao álbum e o faz sem abandonar as inquietações que atravessam sua obra. ‘Aguacêro’ nasceu de uma imagem recorrente nas letras. Chuvas, inundações, tsunamis, enxurradas, correntezas, rios e mares aparecem de diferentes maneiras nas oito músicas inéditas que compõem o disco. Mais do que um elemento temático, a água funciona como uma espécie de fio condutor da obra.

Força devastadora
A escolha não é casual. A água carrega uma contradição que interessa profundamente ao Violins: é indispensável à existência, mas também pode ser uma força devastadora. Traz vida e traz morte. É movimento e ameaça. Pode representar renovação, mas também destruição.
Essa ambiguidade atravessa as músicas de ‘Aguacêro’, construídas a partir das inquietações e dos anseios de pessoas que vivem em um mundo cada vez mais tensionado, instável e imprevisível. O disco trabalha justamente nessa zona nebulosa em que certezas se dissolvem e as fronteiras entre o bem e o mal ficam menos nítidas.
Musicalmente, o álbum parte do território que o Violins vem construindo há 25 anos: um rock atento às melodias e às harmonias, mas aberto a diferentes referências. Elementos da música brasileira convivem com indie rock, guitar bands e passagens que dialogam com o metal progressivo. É uma combinação que permite à banda avançar sem precisar romper com a própria identidade.
‘Aguacêro’ chega depois de um intervalo de 8 anos desde o último álbum, ‘A Era do Vacilo’. Nesse período, o Violins não ficou completamente distante dos estúdios. Em 2024, lançou ‘Sossego Tenso’, primeiro sinal de uma retomada que ganhou novos capítulos com ‘Preços’ e ‘Doce Privilégio’, em 2025. As três músicas foram reunidas no EP ‘Quase Metade’ e marcaram o retorno do baixista Thiago Ricco à formação.
‘Doce Privilégio’ ainda ganhou uma dimensão especial ao ser apresentada em uma versão com arranjo sinfônico escrito pelo pianista, arranjador e diretor musical Itamar Assiere, nome de grande relevância na música brasileira, e registrado com regência do maestro Kleber Augusto à frente da Tallin Studio Orchestra, na Estônia.
‘Aguacêro’, porém, representa um passo diferente: são oito músicas inéditas concebidas para formar um novo álbum, retomando uma das principais características da trajetória do Violins: a construção de discos que funcionam como obras de conjunto.
O novo trabalho também marca a retomada da parceria com o produtor Gustavo Vazquez, do Rocklab Estúdio, em Anápolis. A produção é assinada pelo próprio Violins em parceria com Vazquez, retomando uma colaboração que já fazia parte da história recente da banda. Vazquez participou da produção de ‘A Era do Vacilo’ e, naquele período, chegou inclusive a assumir o baixo nas gravações do álbum.
Depois de 25 anos, dez discos e diferentes momentos da música independente brasileira, o Violins continua fazendo aquilo que sempre esteve no centro de sua trajetória: transformar as inquietações do presente em canções.
E, desta vez, encontrou na água a metáfora perfeita para isso. Porque, no universo de ‘Aguacêro‘, nada é completamente seguro ou previsível. A mesma água que mata a sede pode provocar uma inundação. A mesma chuva que anuncia a vida pode carregar consigo a destruição. Como o próprio mundo que o Violins observa e transforma em música.
Ouça ‘Aguacêro’ nas plataformas digitais:

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