MotoGP em Goiânia: Movimento Reciclar lidera destinação correta de 20 toneladas de recicláveis do evento
Iniciativa evitou o desperdício de R$ 29 mil em recursos e fez do evento mundial de motovelocidade uma vitrine de economia circular, inclusão social e educação ambiental

Cerca de 20 toneladas de resíduos recicláveis deixaram de ser descartadas como lixo comum durante o MotoGP em Goiânia, evitando pressão adicional sobre o aterro sanitário da Capital e consolidando o Grande Prêmio de Goiás 2026 como um dos maiores exemplos de sustentabilidade em grandes eventos no Brasil.
Liderada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável Estratégico de Goiânia (Codese), com apoio do Sistema OCB/GO e parceiros, a iniciativa é resultado da ação do Movimento Reciclar, um pacto socioambiental que reúne poder público, setor cooperativista, empresas, universidades e sociedade civil organizada.

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Segundo estudos realizados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), cada tonelada de lixo reciclável enterrado pela prefeitura custa aos cofres públicos R$ 600, considerando despesas com transporte, contrato de coleta, gestão do aterro sanitário, além de impactos indiretos em saúde pública e no meio ambiente. Com isso, o município gastaria cerca de R$ 12 mil para enterrar as 20 toneladas de resíduos recicláveis retirados do MotoGP.
Por outro lado, com a destinação correta para triagem e reaproveitamento de materiais como latas de alumínio e plástico, as cooperativas podem obter uma receita média de aproximadamente R$ 17 mil líquidos com o material. A ação, portanto, evitou o desperdício de aproximadamente R$ 29 mil em recursos.
Além disso, o resíduo reciclável, quando descartado de forma inadequada, contamina o material orgânico dos aterros sanitários, que pode ser utilizado na produção de bioenergia.
Ação ambiental
Durante os 3 dias da programação, realizada entre sexta-feira (20/3) e domingo (22/3), o projeto mobilizou 80 voluntários selecionados entre 536 inscritos, com atuação em sistema de revezamento que somou 160 participações ao longo dos turnos. Os estudantes universitários que se voluntariaram para o trabalho atuaram como agentes ambientais na orientação do público, fornecedores e equipes do evento, promovendo educação ambiental e incentivando a separação correta dos resíduos.
Ao todo, cerca de 70 pontos de coleta seletiva foram distribuídos estrategicamente pelo circuito, com sinalização reforçada por banners e outras estruturas visuais. A ação também envolveu aproximadamente 400 fornecedores, estimulados a adotar práticas de redução de embalagens e destinação correta de materiais, como o uso de copos reutilizáveis, diminuindo significativamente o volume de resíduos descartáveis.
Segundo Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, o Movimento Reciclar consolidou o MotoGP em Goiânia como um verdadeiro laboratório de economia circular.
“Em uma cidade que ainda recicla menos de 5% dos resíduos coletados, a iniciativa reforça a meta de alcançar 10% ainda neste ano e 50% até 2033, alinhada ao Pacto Goiano pela Economia Circular”, afirma.
A participação do Sistema OCB/GO como realizadora e apoiadora institucional das ações no MotoGP reforça que o projeto é muito mais do que um serviço ambiental.
“É também uma política de fortalecimento da economia solidária e de geração de renda digna para catadores e cooperados”, acrescenta o dirigente.
Marcos Villas-Boas, diretor-executivo do Codese, explica que o Conselho se coloca como âncora estratégica do Movimento Reciclar ao articular governos, empresas, cooperativas de catadores e instituições de justiça.
“Desse modo, assumimos a responsabilidade de transformar o discurso da sustentabilidade em projetos, termos de fomento e legados permanentes para a cidade”, destaca.

Rede de apoio
As cooperativas Cooprec e Cooperama tiveram papel central na triagem e destinação dos materiais, garantindo que os resíduos retornem à cadeia produtiva por meio da logística reversa. A ampla rede de parceiros contou com entidades como Fecomércio Goiás, Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Sicoob Uni, Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado de Goiás (Simplago), Bom Lixo e Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado de Goiás (Secovi-GO), que contribuíram com estrutura, financiamento, equipamentos e apoio operacional.
Também foram fundamentais os apoios institucionais do Ministério Público de Goiás (MPGO), da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) e da Secretaria-Geral de Governo do Estado de Goiás (SGG), garantindo respaldo técnico, jurídico e integração com políticas públicas.
Com forte presença de marcas patrocinadoras em lixeiras, uniformes, pontos de coleta e materiais de comunicação, o projeto também demonstrou que a sustentabilidade é uma construção coletiva. Empresas, cooperativas e instituições assumiram o protagonismo na transformação de Goiás em referência nacional em grandes eventos sustentáveis.
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