
A Prefeitura de Pirenópolis divulgou a programação oficial da Festa do Divino Espírito Santo 2026, uma das mais tradicionais manifestações culturais e religiosas do país, que neste ano ganha ainda mais relevância com a celebração dos 200 anos das Cavalhadas, um marco histórico que reforça as identidades e a força das tradições do município.
Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro, a festa reúne elementos da religiosidade popular, cortejos, folias, novenas e apresentações culturais que atravessam gerações e movimentam moradores e visitantes.

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O ponto alto das celebrações são as Cavalhadas, encenação secular que simboliza a batalha entre mouros e cristãos e que, ao completar dois séculos, consolida Pirenópolis como um dos principais destinos culturais do Brasil.
Para o prefeito Nivaldo Melo (PSDB), a edição de 2026 representa um momento histórico para a cidade.
“Celebrar os 200 anos das Cavalhadas é reafirmar as nossa identidades, a força da nossa cultura e o orgulho da nossa gente. É uma festa feita pelo povo e para o povo pirenopolino e para os visitantes de todo o Brasil é uma ótima oportunidade para vivenciar uma tradição única, que une fé, história e cultura popular”, destaca.
A programação começou no Domingo de Páscoa e segue ao longo de mais de 1 mês com ensaios, novenas, alvoradas, missas e manifestações culturais.
O encerramento ocorrerá entre os dias 24 e 26 de maio, com os 3 dias das Cavalhadas, reunindo cavaleiros, mascarados e toda a simbologia que tornou a festa conhecida nacionalmente.
Confira a programação oficial da Festa do Divino Espírito Santo 2026 em Pirenópolis:
19 de abril – domingo
9h – Saída da Folia de Rua do Divino Espírito Santo (após a Santa Missa)
Onde: Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário
10 a 20 de maio
Ensaio dos Cavaleiros
Onde: Campo de Ensaio
Horários: 6h e 16h30min
11 de maio – segunda-feira
13h – Saída da Tradicional Folia do Divino
Onde: Travessa Rua do Frota, Bairro do Carmo
15 de maio – sexta-feira
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 5h – Alvorada com a Banda de Música
- 12h – Tocata com a Banda de Música Phôenix, repique de sino e tiro de ronqueira
- 18h30 – Terço
- 19h – 1º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
16 de maio – sábado
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 18h30 – Terço
- 19h – 2º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
17 de maio – domingo
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 15h – Chegada da Folia do Divino
- 18h30min – Terço
- 19h – 3º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Barraca da família
- Tocata com a Banda de Couro, levantamento dos mastros na Igreja do Bonfim
18 de maio – segunda-feira
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 18h – Terço
- 19h – 4º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
19 de maio – terça-feira
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 18h30 – Terço
- 19h – 5º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
20 de maio – quarta-feira
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 15h – Entrega da lança pelos cavaleiros ao Imperador
- 18h30 – Terço
- 19h – 6º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
21 de maio – quinta-feira
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 18h30 – Terço
- 19h – 7º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
22 de maio – sexta-feira
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 18h30 – Terço
- 19h – 8º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
- 22h – Apresentação da peça ‘As Pastorinhas’ no Teatro Sebastião Pompeo
23 de maio – sábado (Divino)
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 5h – Alvorada com a Banda de Música
- 12h – Tocata da Banda Phôenix na porta da Igreja Matriz, com repiques de sinos e tiros de ronqueira
- 18h30 – Procissão da Bandeira saindo da casa do mordomo até a Igreja Matriz
- 19h – 9º Dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo (Coral Nossa Senhora do Rosário)
- 19h30 – Benção do Santíssimo Sacramento e Santa Missa
- Após a missa – Tocata com a Banda de Couro e barraca da família
- 21h – Levantamento do mastro, fogueira, tocata com a Banda Phôenix e queima de fogos na beira-rio
- 22h30 – Apresentação da peça ‘As Pastorinhas’ no Teatro Sebastião Pompeo
24 de maio – domingo
- 4h – Alvorada com a Banda de Couro
- 5h – Alvorada com a Banda de Música
- 8h – Cortejo do Imperador até a Igreja Matriz
- 9h – Missa do Divino Espírito Santo (Coral do Imperador)
- 10h30 – Sorteio do novo Imperador e cortejo de retorno
- 14h – 1º Dia de Cavalhadas
25 de maio – segunda-feira
- 8h – Cortejo do Rei e Rainha até a Igreja Matriz
- 9h – Missa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário
- 10h – Cortejo de retorno
- 14h – 2º Dia de Cavalhadas (batismo dos mouros)
26 de maio – terça-feira
- 8h – Cortejo dos juízes de São Benedito até a Igreja Matriz
- 9h – Missa do Juizado de São Benedito
- 10h – Cortejo de retorno
- 14h – 3º Dia de Cavalhadas
- Após – Confraternização entre mouros e cristãos
- Encerramento com cavaleiros, mascarados, orações e salva de tiros na Igreja do Bonfim
A festa
Com duração de 12 dias, tem seu ápice no Domingo do Divino, 50 dias após a Ressurreição. Mesclada de festejos religiosos e folclóricos, é constituída por novenas, folias, procissão, missa, roqueira, mascarados, cavalhadas, pastorinhas e apresentações de outros grupos folclóricos.
Origem
A Festa do Divino Espírito Santo vem de épocas remotas. Instituída em Portugal pela Rainha Isabel, foi trazida ao Brasil pelos jesuítas, que, por meio dela, conseguiram atrair negros e indígenas para seu credo. No decorrer dos anos, foi assimilando os costumes do povo brasileiro e enriquecendo-se com vários folguedos profanos. Em Pirenópolis, foi introduzida na segunda metade do século XVIII, havendo registros mais detalhados de sua realização a partir de 1819. É a festa de maior pompa realizada na cidade de Pirenópolis.
Imperador do Divino
A presença do Imperador, figura central da festa, bem como de sua corte, representa o rei e a corte lisboense com toda sua pompa. O trajeto da casa do Imperador à Igreja Nossa Senhora do Rosário, para a missa em sua honra, é feito com o Imperador transportado dentro de um quadro, formado por quatro varas, carregado nas pontas por quatro virgens. Esse ritual é um resquício do que outrora se fazia na corte de Lisboa.
Solenidade
A escolha do Imperador é feita por sorteio. Todos os pirenopolinos que se julgam em condições de realizar a festa podem se inscrever. Não há distinção entre ricos e pobres. Se rico, promove a festa com recursos próprios; se pobre, conta com a ajuda do povo. Não há limite de vezes para uma pessoa ser imperador, bastando entrar no sorteio e ser contemplada. Diversas pessoas já exerceram o papel duas ou três vezes.
Procissão do Divino
Realizada no momento de levar o Imperador à Igreja Nossa Senhora do Rosário, a procissão possui as seguintes características: as virgens vão à frente do quadro que conduz o Imperador; logo após, vem a banda de música, acompanhada pela multidão, sempre em atitude de respeito e fé. Após a missa e o sorteio do novo Imperador, que organizará a festa no ano seguinte, o Imperador do ano retorna à sua residência acompanhado pelo mesmo cortejo. Ao chegar, distribui verônicas e pãezinhos do Divino a todas as virgens. Era costume que o Imperador distribuísse verônicas em todas as casas.
Coroação
A solenidade é precedida por uma procissão que leva à Igreja Nossa Senhora do Rosário o Imperador cujo mandato está encerrando. Há celebração de missa ou realização de cerimônia simples. Após a pregação, o padre convida o Imperador do ano e aquele que promoverá a festa seguinte a se aproximarem do altar. O padre retira a coroa da cabeça do Imperador cujo mandato se encerrou e, após entregá-la para que ambos a beijem, a coloca sobre a cabeça do novo Imperador. É um momento de tristeza para quem sai e de alegria para quem entra.
Coroa e Cetro
Ambos, em pura prata, foram mandados fazer em 1826 pelo padre Manuel Amâncio da Luz, quando Imperador. Roqueira: salva de tiros de origem portuguesa, imitação do canhão ‘roca’. Daí o nome ‘roqueira’ (e não ‘ronqueira’, como alguns supõem, por causa do ronco que faz). Assim como o canhão, a roqueira tem por objetivo saudar o Imperador do Divino e expressar alegria. É uma manifestação muito antiga em Pirenópolis.
Pastorinhas
Peça teatral em forma de revista e bailado, com enredo que narra o nascimento de Jesus. Vinda do Nordeste, foi trazida por Alonso, telegrafista, e encenada por ele mesmo em 1922, ano em que o coronel Joaquim Mendonça foi Imperador. Em 1923, foi novamente encenada sob a direção do maestro Propício de Pina, que lhe acrescentou as figuras: Fé, Esperança e Caridade. Atualmente, é apresentada todos os anos.
Mascarados
Usando roupas extravagantes e máscaras com rostos de animais, mais comumente boi e onça, montados a cavalo ou a pé, percorrem as ruas fazendo algazarra e dançando nas casas em que são convidados. Sua origem remonta às tradições dos povos escravizados, sendo uma manifestação religiosa de alegria e uma forma simbólica de espantar maus espíritos.
Cavalhadas
Encenadas em Pirenópolis pela primeira vez em 1826, por iniciativa do padre Manuel Amâncio da Luz, quando Imperador. Sua origem remonta a Portugal. É a representação simbólica da luta entre o Imperador do Ocidente, Carlos Magno, coroado em 800 pelo Papa Leão II, e os mouros que invadiram a Península Ibérica, tentando forçar os cristãos a aderirem à religião maometana. A encenação tem duração de 3 dias.
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